BERNBURG, 23/04/1942

Deixe um comentário

24 de abril de 2017 por Lucas Rafael Chianello

Há 75 anos morria Olga Benário, asfixiada numa câmara de gás do campo de extermínio de Bernburg, na Alemanha nazista.

Militante comunista alemã nascida em Munique no dia 12 de fevereiro de 1908, foi enviada ao Brasil para apoiar as ações do Partido Comunista Brasileiro, quando conheceu Luís Carlos Prestes.

Juntos, participaram da Intentona Comunista, frustrada em 1935.

No ano seguinte, em 1936, ela e Prestes são capturados na casa em que moravam no bairro do Méier, no Rio de Janeiro (RJ).

Detida, ela descobre que estava grávida do Cavaleiro da Esperança .

Sua filha, Anita Leocádia Prestes, nasceu no dia 27 de novembro de 1936 na prisão feminina do campo de concentração nazista de Barnimstrasse e aos 14 meses foi entregue à avó, Leocádia Prestes.

Olga, que depois de sua prisão nunca mais viu Luís Carlos Prestes, foi deportada do Brasil como prisioneira política.

Em tempos de Ação Penal 470 (vulgo mensalão), Operação Lava Jato e impeachment, sempre é bom recordar que a extradição de Olga à Alemanha nazista se deu após o STF (Supremo Tribunal Federal) desprezar a questão humanitária na qual ela se encontrava e julgasse improcedente o pedido de habeas corpus formulado pelo advogado Heitor Lima, cuja decisão, na íntegra, pode ser lida a seguir:

“HABEAS CORPUS N. 26.155

Estrangeira – Expulsão do território nacional – Quando se justifica.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de habeas corpus impetrado pelo Dr. Heitor Lima em favor de Maria Prestes, que ora se encontra recolhida à Casa de Detenção, afim de ser expulsa do território nacional, como perigosa à ordem pública e nociva aos interesses do país.

A Corte Suprema, indeferindo não somente a requisição dos autos do respectivo processo administrativo, como também o comparecimento da paciente e bem assim a perícia médica afim de constatar o seu alegado estado de gravidez, e

Atendendo a que a mesma paciente é estrangeira e a sua permanência no país compromete a segurança nacional, conforme se depreende das informações prestadas pelo Exmo. Sr. Ministro da Justiça:

Atendendo a que, em casos tais não há como invocar a garantia constitucional do habeas corpus, à vista do disposto no art. 2 do decreto n. 702, de 21 de março deste ano:

Acordam por maioria, não tomar conhecimento do pedido.

Custas pelo impetrante.

Corte Suprema, 17 de junho de 1936. – E. Lins, presidente. – Bento de Faria, relator.

(A decisão foi a seguinte: “Não conheceram do pedido, contra os votos dos senhores ministros Carlos Maximiliano, Carvalho Mourão e Eduardo Espinola, que conheciam e indeferiam.)”

Registre-se, para todos os fins, que Olga Benário partiu do Brasil, por decisão da suprema corte, para posteriormente partir da vida.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: