A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA

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17 de abril de 2017 por Lucas Rafael Chianello

Há um ano se consumava o golpe legislativo no Brasil.

Há 15 anos se consumava a tentativa do golpe midiático na Venezuela, quando no dia seguinte um comentarista de TV revelou escancaradamente os planos golpistas e agradeceu a todos os grupos privados de comunicação do país.

O povo se revoltou e cercou o Palácio Presidencial de Miraflores para pedir a volta de Hugo Chávez.

Aqui, no último sábado, Michel Temer admitiu toda chantagem feita à Dilma Rousseff numa entrevista para a Rede Bandeirantes.

Chantagem que resultou numa sessão em que o jornal irlandês Irish Times noticiou que “Os palhaços são enviados ao Congresso para votarem o impeachment de Rousseff. Deputados comportam-se como torcedores bêbados numa partida de futebol.”

Só que aqui, ao contrário da Venezuela, não teve nenhuma reação exceto pontuais manifestações populares lideradas por sindicatos e movimentos sociais.

O PT, engessado pela gestão Rui Falcão, mergulhado em cuidar apenas do jogo institucional, ficou sem saber o que fazer quando não conseguiu mais construir ampla coalização legislativa.

A classe trabalhadora dividiu-se: uma parte apoiou, uma parte foi contra e a outra olhou de longe com indiferença.

Há 15 anos o chavismo promove reformas sociais na Venezuela em meio a tentativas de golpe.

Há de se admitir, antes de se fazer qualquer crítica, que Maduro, mal compreendido por aqueles que não sabem navegar em mares revoltos, encontra-se numa situação pior do que a de Hugo Chávez.

A oposição, sempre patrocinada pelos Estados Unidos da América do Norte, nunca reconheceu sua vitória sobre Capriles após a morte de seu antecessor e empreendeu uma guerra econômica de desabastecimento sem precedentes, o que levou à vitória de uma ampla maioria de direita nas eleições legislativas.

Dessa vez, não houve contestação dos resultados.

A Constituição da Venezuela não prevê o impeachment.

Tão logo a maioria de direita intentou instalar um processo para destituir Maduro da presidência, populares ocuparam a Assembleia Nacional, sede do poder legislativo, e a manobra foi abortada.

Semanas atrás, o Senado paraguaio reuniu-se a portas fechadas, sem o presidente da casa, para aprovar uma emenda constitucional que previa a reeleição presidencial.

Populares revoltaram-se e atearam fogo no Congresso do país.

No Brasil, é costume associar qualquer tipo de atraso civilizatório com nossos vizinhos sul-americanos.

Porém, nada mais atrasado do que aceitar bovinamente a opressão, nada mais atrasado do que aceitar com ares de normalidade um golpe de Estado.

O que diziam venezuelanos e paraguaios contrários, respectivamente, a um impeachment não previsto em sua Constituição e a uma votação secreta para que a reeleição fosse aprovada?

Que seus países não eram o Brasil.

Parabéns, golpistas.

 

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