POR QUE LUTAR PELA ANULAÇÃO DO IMPEACHMENT?

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13 de abril de 2017 por Lucas Rafael Chianello

No último sábado, dia 8 de abril de 2017, a Escola Estadual David Campista abrigou a plenária do movimento Quem Luta, Educa, que teve na primeira mesa de debates, como uma das expositoras, a excelente dirigente sindical Beatriz Cerqueira, coordenadora geral do SindUte-MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais).

Quando o editor-chefe deste Blog Chianéllico tomou a palavra, sua intervenção foi no sentido de apontar que o grito da esquerda brasileira nas manifestações não deveria ser “Fora, Temer”, mas sim “Volta, Dilma”, pois de nada adiantará a queda de Temer se seu sucessor for alguém que continue as reformas rechaçadas pela população brasileira em outubro de 2014.

Um golpe de Estado sob falsas acusações de crime de responsabilidade foi consumado sobre Dilma Rousseff, o PT (Partido dos Trabalhadores) e o povo brasileiro.

Ora, ninguém promove golpe de Estado para continuar o governo de quem foi golpeado, o que afasta a falsa argumentação de que “quem votou na Dilma, votou no Temer”.

Nas próprias palavras da Beatriz Cerqueira, do alto de sua grandeza enquanto liderança, o golpe serve para promover profundas reformas neoliberais no Brasil, como por exemplo a previdenciária e a trabalhista, assim como para enquadrar o Brasil geopoliticamente no que se refere ao petróleo, principalmente após a descoberta do pré-sal.

O nosso ponto de divergência foi quanto a “Fora, Temer” ou “Volta, Dilma”.

Beatriz tem total razão quando diz que o Judiciário faz parte do golpe e que por isso é ilusão crer que o STF (Supremo Tribunal Federal) anulará o impeachment.

Este trecho de sua fala vai ao encontro de um vídeo que tem circulado na internet no qual o professor Silvio Luiz de Almeida discorre sobre a inexistência de neutralidade do Judiciário.

Com muita felicidade, o que o professor coloca é justamente isso: quando havia escravidão no Brasil, quem a sustentava eram os juristas da escravidão; não haveria nazismo, por exemplo, sem as sustentações jurídicas de Carl Schmitt e Roland Freisler.

Entretanto, o que colocamos também é isso: não se trata de acreditar na independência do Judiciário, pouco menos numa análise técnica insuspeita sobre o processo de impeachment.

Trata-se, exatamente, de pressionar o STF para que ele, popularmente constrangido, restabeleça Dilma Rousseff na presidência da república, uma vez que a destituição da presidenta se deu por eventual maioria legislativa e não por uma análise técnica e isenta sobre a ocorrência de crime de responsabilidade.

Ora, do que valeu lutar até às 17h do dia 26/10/2014 para eleger Dilma Rousseff se ela sequer pode governar em seu segundo mandato?

Do que adiantará eleger Lula em 2018 sem maioria legislativa de esquerda, o principal fator para a queda de Dilma Rousseff ?

Aliás, se tem algo que precisa ser revisto pelo PT em seu VI Congresso é justamente sua política de alianças legislativas, também golpeada com a queda de Dilma.

Eles aprenderam o caminho das pedras.

Coalizão ampla resultará em golpe novamente.

Se nossos votos não foram respeitados uma vez e Dilma, abandonada, caiu sem ter cometido crime de responsabilidade, por que deveríamos acreditar pura e simplesmente que eleger Lula em 2018 devolverá a segurança política e jurídica a presidencialismo?

Aliás, o que se pretende é estabelecer uma ordem na qual não possamos escolher ou que nossas escolhas sejam moderadas por forças ocultas que as aceitem ou não conforme aquilo que a grande mídia chama de “humor do mercado.”

Tem razão aquelas e aqueles que dizem que somente são frutíferas as lutas que movimentam o povo.

E é justamente isso o que as lideranças sindicais, dos movimentos sociais e dos partidos políticos de esquerda devem fazer: aproveitar o atual momento em que até mesmo o Congresso, pressionado pela população, rejeita a reforma da previdência, para mostrar a essas pessoas que conforme o debate entre Gleisi Hoffmann (PT/PR) e Cristóvam Buarque (PDT/DF) essas reformas não aconteceriam se Dilma estivesse na presidência.

Do contrário, quem estará certo nisso tudo é o Luciano Huck: iremos esquecer se foi golpe ou não?

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