SOLIDARIZAR-SE OU NÃO?

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11 de abril de 2017 por Lucas Rafael Chianello

Não era nem para esse assunto ter vindo à tona aqui.

Diante de debates cruciais como a terceirização irrestrita, a reforma previdenciária e outros, demos prioridade a algo que é secundário.

Já que veio, vamos até o fim, no sentido de entender que os espaços devem ser ocupados e o expediente da desumanização do ser humano, combatido.

No último domingo, durante edição do Troféu Imprensa, uma espécie de “festa da firma” do SBT, o mega empresário da comunicação Silvio Santos interpelou a apresentadora e comentarista Rachel Sheherazade, ao dizer que ela deveria se preocupar mais em ler o projetor de palavras do que comentar as notícias.

Silvio disse, ainda, que se ela quisesse apresentar e comentar, que tivesse um telejornal em sua eventual emissora própria.

Corretamente as redes sociais trataram de abrigar manifestações de repúdio ao magnata.

Seja quem for a destinatária das palavras, o que Silvio Santos fez tem um nome: assédio moral, mesmo que a apresentadora e comentarista que nos sugere ironicamente a levar bandidos para a casa tenha desmentido tudo nas redes sociais.

Por pressão ou por livre e espontânea vontade.

Quando Karl Marx e Friedrich Engels escreveram o Manifesto do Partido Comunista, iniciaram com a frase “A história da sociedade é a história da luta de classes.”

Parte da esquerda brasileira tem cometido um certo erro: colocar o que chamamos de pautas identitárias à frente da pauta classista, pois a repressão étnica, de opção sexual, de gênero, de nacionalidade, etc, nada mais são do que derivados da opressão de classe.

A sociedade organiza-se basicamente pelo trabalho.

No dia em que todos nós trabalharmos e nos apropriarmos coletivamente do fruto do trabalho, não haverá porque discriminar alguém em razão de etnia, religião, opção sexual, gênero, etc, pois todas as nossas necessidades estarão satisfeitas e todas e todos terão a mesma chance.

A repressão de gênero, etnia, opção sexual, religiosa, etc, são derivados da opressão de classe a partir do momento em que os proprietários dos meios de produção criam alguma maneira de selecionar os que tem e os que não tem acesso aos recursos.

Logo, o grande problema nessa questão é: por que deveríamos nos solidarizar com Rachel Sheherazade, apesar de sua diária postura nazi-fascista diante das câmeras e dos microfones?

Por que, num momento de exceção, a concepção de igualdade de gênero deve abrigar a Rachel Shehezarade, que além de participar de corpo presente de manifestações favoráveis ao impeachment, nas quais os mais diversos impropérios machistas eram dirigidos a Dilma Rousseff, também já chamou feministas, nas redes sociais, de pessoas de moral dupla?

O expediente de desumanização chega ao ponto da própria Rachel Sheherazade naturalizar o próprio assédio sofrido nas redes sociais, de modo que certas, mesmo, estão as palavras do internauta José Carlos, em sua conta nas redes sociais:

Minha solidariedade é para aquele ser humano amarrado num poste, depois açoitado pela jornalista. Amarrado como um animal, contra sua vontade, e sem estar ganhando projeção em reality show ou em programa mequetrefe.

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2 pensamentos sobre “SOLIDARIZAR-SE OU NÃO?

  1. Poderia, por gentileza, identificar-se?

    Segue um dos raciocínios que nos embasam.

    Seja sempre bem vinda(o).

    http://brasileiros.com.br/2015/03/luta-de-classes-esta-acima-feminismo-diz-mulher-de-mujica/

  2. Anônimo disse:

    Olá. Em que se baseia pra dizer que as questões de gênero, raça, etc., se fundamentam unicamente na questão de classe? E que esta deve ser a questão central e imediata em qualquer espaço de opressão? Gostaria que pudesse me indicar alguma bibliografia.

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