A POLITIZAÇÃO MESQUINHA DO CARNAVAL SULFUROSO

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11 de fevereiro de 2017 por Lucas Rafael Chianello

Poços de Caldas (MG) viveu tensos momentos de quinta-feira para cá, a partir do momento em que o debate sobre a verba do carnaval destinada às escolas de samba através da AESB (Associação das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Poços de Caldas) tomou plena notoriedade pública .

Antes de tudo, falta sobriedade para avaliar o significado da medida tomada.

Como neste Blog Chianéllico não tivemos acesso ao processo administrativo da prestação de contas da AESB, temos de colocar as coisas em condicionais.

Primeiramente, é o caso de identificar a previsão legal que autoriza o repasse para a AESB e em quais termos deve ocorrer a prestação de contas.

Uma vez alegado pelo atual governo a ausência da devida prestação de contas, caso a AESB entenda estar tudo em ordem, compete a ela constituir um advogado e ajuizar a ação competente no Poder Judiciário para tentar a contemplação da referida verba.

Não se trata, aqui, do péssimo costume de judicialização da política nacionalizado pela direita brasileira, mas sim de discussão judicial oriunda de um contrato celebrado entre o poder público e o particular.

A postura do atual prefeito, totalmente populista e intelectualmente desonesta, deseduca politicamente a população.

Ele simplesmente diz que cumpre a legalidade, apenas para constar do protocolo, e aproveita o assunto para capitalizar politicamente.

Menciona, inclusive, o nome da primeira criança beneficiada pelas cirurgias eletivas, a quem atribui o título de “símbolo de campanha”, quando na verdade os serviços públicos são impessoais.

Nada mal para quem diz que é técnico e não político, quando na verdade, para este caso, lhe cabia, na qualidade de prefeito, uma postura didática no sentido de apresentar as razões da medida tomada.

Do alto de seus analfabetismos políticos, diversos usuários de redes sociais festejam uma medida estritamente administrativa como se fosse mérito político do prefeito.

Pensam que a medida é uma iniciativa de boa vontade quando na verdade se trata do estrito cumprimento da legalidade.

O único mérito do prefeito é, de fato, realocar a verba nas cirurgias eletivas, pois poderia ser em qualquer outra área.

O que o prefeito, muito esperto para quem se diz técnico e não político, não vai explicar, é como ele defende a realocação de verbas do carnaval na saúde quando na verdade seu partido recentemente votou na chamada PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do teto dos gastos, que congela o orçamento da saúde e da educação além da inflação pelos próximos vinte anos.

Quando foi que ele, ciente de que tal medida é extremamente prejudicial aos municípios, manifestou-se contrário a ela durante a campanha eleitoral?

Muito pelo contrário: durante a campanha, anunciou com plena convicção que diminuiria os investimentos em saúde, além de demonstrar total desconhecimento dos sistemas de saúde inglês e estadunidense no primeiro debate entre os candidatos.

Por fim, há de se constatar que muito do que se discute quanto a medida tem total caráter de cara e coração, pois tivesse sido tomada por alguém do PT, haveria dois carnavais na Francisco Salles: um na avenida, outro na porta da prefeitura.

– – –

Para saber mais sobre o carnaval em Poços de Caldas (MG):

PREFEITURA REJEITA CONTAS DA AESB E CANCELA DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA

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