GOLPISTA E ARCAICO

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30 de janeiro de 2017 por Lucas Rafael Chianello

O Jornal de Poços encerrou as suas atividades.

A justificativa, que o Jornal não deve a ninguém, pois funcionava por sua conta e risco, se deve ao fato da modernização dos meios de comunicação e do jornalismo em tempo real.

De fato o jornalismo brasileiro busca um novo formato, que talvez nem mesmo os demais países do mundo encontraram, o que é um problema, inclusive, para os profissionais da área, que trabalham de maneira cada vez mais precária diante da crescente diminuição do número de postos de trabalho deste mercado profissional.

Para o caso da minha geração, que se formou nos ensinos fundamental e médio ao longo dos anos 1990 e início dos anos 2000, aprendemos que estar bem informado era ler um diário impresso e assistir a um telejornal, até que veio a internet.

Ainda durante os primeiros anos da década de 2000, com a conexão discada, muita coisa não havia mudado, mesmo com diversos sítios eletrônicos já no ar.

A grande novidade eram os canais privados de notícia em tempo real.

Entretanto, a massificação da banda larga e o surgimento de blogs, redes sociais e serviços de compartilhamento gratuito de áudios e vídeos alteraram a dinâmica da informação, de modo que ao invés de comprar o impresso diário ou aguardar o horário do telejornal, o público passou a selecionar as notícias de seu interesse através do acesso a rede mundial de computadores.

Obviamente, mudaram-se bruscamente os parâmetros de administração de uma empresa de comunicação, pois além da possibilidade de emissoras de rádio e TV funcionarem na internet sem a necessidade de obtenção de concessão do poder público, a hospedagem de um sítio eletrônico implica numa drástica redução de custos em relação ao jornal impresso, assim como é bem mais fácil emitir som e imagem de um computador do que dos complexos equipamentos convencionais.

No que se refere a linha editorial, Poços de Caldas (MG) tem muito a comemorar.

Karl Marx e Friedrich Engels escreveram no Manifesto do Partido Comunista que “A burguesia molda o mundo à sua imagem.”

Ao longo dos anos, o Jornal de Poços, além de diário de notícias, sempre foi um veículo de linha editorial conservadora que, para propagar as ideias de seus dirigentes, se valeu do recurso da difamação com sensação de impunidade para destruir a reputação de seus adversários e inimigos políticos.

Maior exemplo é o caso recente de quando não os então partidos de oposição, mas sim o proprietário do diário, protocolou uma espécie de pedido de “impeachment” do então prefeito Eloisio do Carmo Lourenço (PT) às vésperas das eleições municipais, numa clara atitude de geração de desgaste a partir da exploração da atividade econômica da informação.

Ainda na campanha eleitoral, o referido diário esteve totalmente alinhado à candidatura do atual prefeito, quando, inescrupulosamente, divulgou pesquisas de indução, e não intenção de voto, não registradas na Justiça Eleitoral, cuja cassação da veiculação foi deferida pelo Poder Judiciário.

O encerramento das atividades do Jornal de Poços é a constatação de que o futuro chegou quanto ao modus operandi de se fazer jornalismo, ao mesmo tempo em que significa a possibilidade do leitor poços-caldense conviver com notícias e outras visões editorais altamente niveladas que não contenham o veneno da desinformação e da destruição de reputações.

“A verdade é o nosso compromisso com o leitor” nunca passou de propaganda.

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