A FARSA DO MPL

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5 de janeiro de 2017 por Lucas Rafael Chianello

Junho de 2013.

Seis meses após assumir a Prefeitura de São Paulo (SP), Fernando Haddad (PT) passou a enfrentar um dos maiores desafios dos seus quatro anos de administração: lidar com o MPL (Movimento Passe Livre).

O aumento das passagens do trem, do metrô (regulamentados, esses, pelo Estado) e do ônibus, originou gigantes manifestações lideradas pelo MPL em São Paulo, fortemente reprimidas pela Polícia Militar.

Esperto foi o PSDB: ganhou nas duas pontas.

Perdida a Prefeitura de São Paulo, o partido, através do governo Alckmin, recrudesceu a repressão às manifestações populares para aumentar sua influência na classe média com o discurso da segurança.

Reelegeu Alckmin e Beto Richa em Estados tidos como de eleitorados conservadores e beneficiou-se da tática nazista da criminalização da política para derrubar Dilma da presidência e impedir a reeleição de Haddad com a vitória de João Doria Junior, ex-apresentador de um programa televisivo empresarial de baixíssima audiência.

O mesmo João Doria Junior que no primeiro mandato de Lula liderou o caricato e relâmpago movimento Cansei ao lado de Hebe Camargo.

O que se iniciou com os protestos do MPL em São Paulo terminou em imposição de pauta nacional pela mídia, aliada de primeiríssima hora do PSDB: contra a corrupção, descontentamento com a classe política e contra a PEC 37/2011.

Em junho de 2013 iniciava-se a exponenciação sem precedentes da manipulação de massas no Brasil com a finalidade de acabar com os governos do PT.

Foram nesses movimentos de manifestações favoráveis ao niilismo político que fundações privadas estrangeiras passaram a financiar os futuros ativistas de movimentos nazistas tropicais como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem Pra rua.

Pois bem, durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, João Doria Junior prometeu que não iria aumentar a passagem de ônibus.

Entretanto, em seu primeiro dia de administração, anunciou uma série de aumentos em diversas modalidades de linhas.

A passagem unitária comum não teve aumento e o bilhete semanal será extinto.

Agora, pouco antes de finalizarmos este artigo, tivemos a notícia de que também será absurdamente cobrado o acesso aos terminais de ônibus.

Manifestantes do MPL protestam na rua da casa de Fernando Haddad. Foram atrás do Alckmin e do Joao Doria Junior?

Manifestantes do MPL protestam na rua da casa de Fernando Haddad. Foram atrás do Alckmin e do Joao Doria Junior?

E então, onde está o MPL e seus líderes?

Terão espaço para entrevistas no Fantástico e no Roda Viva?

E a dita esquerda descontente, o que tem a dizer?

Sob a alegação de que o governo e o PT não faziam a autocrítica, tal esquerda marchou ao lado daqueles que depois derrubaram a presidente: os Kim Kataguiri e Fernando Holiday da vida, que iniciavam-se politicamente como agentes do discurso do preconceito e da intolerância.

Qual foi a autocrítica dos juninos de 2013, principalmente depois da queda de Dilma?

E os blogueiros progressistas, críticos do trato do Haddad ao MPL, o que tem a escrever, agora?

Que não tem mais pauta, pois não tem mais MPL?

O tempo é o senhor da razão.

Três anos e meio depois a história comprova que o MPL foi o grande catalizador dos carnavais fora de época da classe média, dos festivais de ignorância, misoginia e apoio a Eduardo Cunha, Bolsonaro e Sérgio Moro.

O maior problema diante dessa situação é a falta de autocrítica e reconhecimento de erro por parte de quem clamava por autocrítica e reconhecimento de erros do PT e do governo: criaram a besta e agora dizem ter nada com isso.

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