COITADINHO DO EDUARDO CUNHA

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14 de outubro de 2016 por Lucas Rafael Chianello

O senhor Eduardo Consentino Cunha (PMDB/RJ), deputado federal cassado, é um criminoso de lesa pátria.

Certa vez, o lendário João Saldanha pediu para sua empregada comprar pilhas para uma boneca que ele daria de presente para sua neta.

A pilha não funcionou, a empregada não conseguiu trocá-la e o próprio João Saldanha, ao resolver o problema, atirou contra o responsável pelo estabelecimento.

Perguntado porque teria tomado uma medida tão extrema para um caso tão corriqueiro, João Saldanha respondeu: “Revólver é para ser usado contra bandido. A diferença é que o sujeito do estabelecimento é bandido autorizado.”

Não há melhor definição para Eduardo Cunha.

De posse de todas as provas enviadas pelo Ministério Público suíço sobre contas bancárias não declaradas, o ministro Teori Zavascki somente tomou providências contra Eduardo Cunha depois dele orientar Janaina Paschoal, Helio Bicudo e Miguel Reale sobre a petição do impeachment.

O resto é história, como se diz.

Triste história.

Anteontem, na melhor definição de bandido autorizado, Cunha caminhava tranquilamente de sapato, calça social e paletó pelo aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (RJ), até que passou a ser hostilizado e uma senhora o agrediu.

Sentiu muito e, na qualidade de incorrigível Cristão, pregou a tolerância?

Não.

Postou no Twitter que poderiam esperá-lo, que isso seria um prazer e que “Se eles perderam as suas boquinhas, o problema é deles.”

Nenhum peso na consciência paira sobre o principal responsável por jogar na lata do lixo, à luz do dia, 54.501.118 milhões de votos.

Se há um grupo, profissionalizado, digamos, para hostilizar Cunha, este grupo tem de tomar cuidado e se proteger.

O lesa pátria autorizado por Zavascki tem dinheiro mais que suficiente para monitorá-los e lhes dar fim.

Se diante de seus pares, então na qualidade de deputado federal, Cunha mostrou do que era capaz ao deflagrar o impeachment sem crime de responsabilidade e retardar ao máximo seu processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, imaginem o que Cunha pode fazer com um cidadão comum.

Recorda-se: o impeachment foi deflagrado porque os deputados petistas Leo de Brito, Valmir Prascidelli e Zé Geraldo não votaram com Cunha no Conselho de Ética.

A priori, a violência é monopólio do Estado.

Entretanto, o Brasil, com a Operação Lava Jato, caminha a passos largos para que haja violência sobre uns e complacência sobre outros.

Enquanto as garantias jurídicas, civis e políticas dos cidadãos são diariamente agredidas, Cunha, bandido autorizado, circula livremente.

Como se manter quieto diante de flagrantes e colossais injustiças quando as instituições não funcionam mais, quando o monopólio da violência estatal é seletivo e direcionado?

Você pode pensar como o historiador Valter Pomar e concluir que “O fascismo não será derrotado com bons modos.”

Você pode pensar como Jean Paul Sartre e concluir que “Eu não costumo respeitar as vítimas que se comportam bem diante dos seus algozes.”

Você pode pensar como Bertold Brecht e concluir que “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”

O que não dá é condenar alguém por uma bolsada contra outrem que não lamenta e ainda debocha.

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