A FALÊNCIA DO CAPITALISMO

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24 de janeiro de 2016 por Lucas Rafael Chianello

Inicialmente publicado no Jornal da Cidade

Davos, uma cidade suíça situada a 1.560m de altitude, onde vivem aproximadamente 11.500 habitantes, é sede anual do FEM (Fórum Econômico Mundial), um encontro de governantes, empresários e intelectuais cujo lema é “Comprometido em mudar o estado do mundo”. O tema da edição deste ano foi o que denominaram de “4ª Revolução Industrial”, cujo maior impacto seria provocar o desemprego de 5 milhões de pessoas. Em contrapartida ao FEM surgiu o FSM (Fórum Social Mundial). Sua 11ª edição também aconteceu nessa semana em Porto Alegre (RS) e teve como tema “Paz e Democracia: Direito dos Povos e do Planeta”. Esses dois fóruns de discussão são a grande demonstração atual da contraposição entre a política e a economia.

Nas palavras do antropólogo francês Alain Bertho, “O século XXI abandonou o futuro em nome da gestão do risco e do medo, é indiferente à ira das gerações mais jovens. Já não se fala mais do futuro, mas da gestão do risco e da probabilidade”. E sempre que se fala em gestão, risco, medo e probabilidade, o mercado, erroneamente tratado como se fosse um ente, porém transformado em dogma, é quem dita as regras.

Consciente ou inconscientemente, tudo gira em torno dele. A indústria cultural, a indústria da moda, o trabalho e o emprego, a estruturação e o objetivo das instituições e até mesmo os planos para as nossas vidas. Porém, estuda-se administração de empresas, estruturas do próprio mercado, direito financeiro e a intervenção do Estado na economia para que no final disso tudo a conclusão de quase sempre seja que o mercado se autorregula.

Créditos: Anarcomiguxos IV

Créditos: Anarcomiguxos IV

Sob o princípio de que os níveis de riqueza da nossa sociedade são ilustrados pela chamada pirâmide social, somente o velho dito popular “Come mortadela e arrota peru” é capaz de explicar como pessoas massacradas pelo capitalismo ainda o defendem. Sistema esse que segundo a ONG britânica Oxfam concentra 50% da riqueza mundial em, pasmem!, 62 pessoas! É isso mesmo, leitor! Metade dos bens existentes num mundo de cerca de 7 bilhões de habitantes pertencem a 62 pessoas, que proprietárias dos meios de produção, da comunicação e da doutrina da educação, fazem-nos crer diariamente que “Se você se esforçar, um dia você chega lá.”

E qual o resultado de tudo isso? Catástrofes ambientais como a de Mariana (MG), guerras e receituários econômicos que provocam fome e déficit habitacional, enquanto alimentos estragam nas gôndolas dos supermercados porque não são comprados por alguém.

Portugal, uma das atuais vítimas desses receituários (os chamados pacotes de austeridade), reencontrou-se com a democracia em 1974 aos cantos de Grândola, Vila Morena, do mesmo Zeca Afonso que n´Os Índios da Meia Praia cantava “Mandadores de alta finança/fazem tudo andar pra trás/dizem que o mundo só anda/tendo à frente um capataz.”

É preciso pensar e fazer um mundo novo a partir dos debaixo. Os de cima já nos mostraram que a autorregulação do mercado é sinônimo de desequilíbrio. Fracassaram para sempre na história.
– – –

Para saber mais sobre a concentração mundial da riqueza:

QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL É TEMA DO FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL EM DAVOS
1% DA POPULAÇÃO MUNDIAL POSSUI MAIS DO QUE OS RESTANTES 99%
DESIGUALDADE NO MUNDO AUMENTA DE FORMA DRAMÁTICA, SEGUNDO A OXFAM

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