30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 27 – AFASTAMENTO GERA ANGÚSTIA

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13 de janeiro de 2016 por Lucas Rafael Chianello

Algumas coisas não foram fáceis para o editor-chefe na sua vida no interior de São Paulo. Acostumado com família e amigos ao seu redor, tudo era diferente num lugar onde andava nas ruas e ninguém o cumprimentava. E seus companheiros de luta, quem eram? Uma vida mecânica resumida em casa-trabalho-trabalho-casa fazia o editor-chefe sentir-se teleguiado pelo status quo.

Eis que num belo dia estouram as manifestações conhecidas como “jornadas de junho”. Como assim, o povo não aguenta mais sofrer? Como assim, o povo quer mudança? Como assim, existem novas formas de fazer política? Como assim, nenhum partido e nenhum político nos representa? A vida inteira fizeram chacota conosco porque éramos politizados. De repente eles tinham a solução para os problemas do país? Alguma coisa estava fora de ajuste. “Isso aí está mais para marcha da família com deus do que qualquer outra coisa”, dizia o editor-chefe na época, ao recordar-se de um dos maiores ensinamentos de seu pai: “Para quem não tem rumo, qualquer rumo serve.” Milhares, milhões de pessoas que não viam a hora de se enriquecer para tirarem seus carros zeros da concessionária queria discutir mobilidade urbana…

Dilma foi à rede nacional numa sexta-feira a noite. O editor-chefe estava ali, atento a tudo que sua presidenta tinha para dizer. Profissão de fé renovada quando ela anunciou o Mais Médicos e disse que a cidadania não poderia se submeter ao poder econômico.

Dias depois, o editor-chefe viajou para Poços de Caldas (MG) num sábado de manhã, quando teria um encontro municipal do Partido dos Trabalhadores. Era preciso rever os companheiros e discutir os fatos recentes.

Nesta época o editor-chefe tinha sido demitido sem justa causa. Com alguma reserva financeira da rescisão trabalhista, estudou para algumas provas de concurso, dentre elas a defensoria pública, oportunidade na qual descobriu o quão importante essa instituição virá a ser na vida jurídica do nosso país.

Eis que então um dos mais renomados escritórios de advocacia de Piracicaba (SP) anunciava a disponibilização de uma vaga para advogado. Currículo enviado por e-mail e dias depois o telefone do editor-chefe toca. Entrevista marcada. Cabelo penteado, barba aparada, sapato engraxado, camisa, terno e gravata para a eterna busca do lugar ao sol. Muito bem recebido e muito bem tratado, horas depois o editor-chefe recebe um telefonema:

– Você pode começar na segunda-feira?

– Sim, estamos à disposição para iniciar quando for necessário.

No minuto seguinte, o telefonema do editor-chefe:

– Pai, me dê os parabéns.

– Por que?

– Começo segunda-feira.

– Que notícia boa! Parabéns, meu filho!

No dia do aniversário de uma de suas avós, o editor-chefe começaria a trabalhar como advogado num lugar onde sempre foi muito bem tratado e respaldado. Essa nova fase profissional seria celebrada semanas depois quando, junto de seu pai, voltava a Interlagos, mais de uma década depois, para assistir ao GP Brasil de F-1, cuja experiência marcante foi torcer para o Maldonado junto de um casal de venezuelanos, que não hesitaram em convidar: “Venga conocer a Venezuela”.

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