30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 26 – O RIO DE PIRACICABA. VAI, MALDONADO!

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12 de janeiro de 2016 por Lucas Rafael Chianello

Sexta-feira, 13 de janeiro de 2012. O telefone tocava de madrugada. Era sua amiga, que tinha voltado de Portugal. O editor-chefe atende e escuta:

– Parabéns!

– Como assim, parabéns?

– Você passou na prova da OAB.

Ateu, o editor-chefe precisou ver para crer como São Tomé. Acessou a internet e lá estava o nome dele na relação dos aprovados.

No dia seguinte, seu aniversário, seu pai, nascido no dia 17 de janeiro, estaria com a família em Juiz de Fora (MG). Tempos do editor-chefe comemorar seu aniversário e a conquista da carteira de advogado. Tempos de comemorar junto de seu pai os 50 anos dele.

Sábado, 12 de maio de 2012. O editor-chefe foi ao Rio de Janeiro (RJ) para uma prova de uma pós-graduação que havia iniciado em direito desportivo, mas não terminou. Destino: uma escola localizada perto do estádio do Bangu. No almoço, ali por perto, era preciso ver quem tinha feito a pole-position do GP da Espanha. Senha do wi-fi pedida e enquanto o almoço era preparado, o editor-chefe acessava a internet para conferir o grid de largada.

A manchete do Grande Prêmio (o site do Flavio Gomes) era algo como “Hamilton é pole. Maldonado assombra.” Como assim, Maldonado assombra?, perguntava o editor-chefe a si mesmo, sozinho, sem ter com quem conversar. O venezuelano, na época pela Williams, largaria da segunda posição. Um feito e tanto para quem tinha um carro de meio de grid.

Quando o editor-chefe volta para Juiz de Fora e vai tomar um açaí com sua namorada, a notícia: Hamilton teve o tempo de volta cancelado porque chegou aos boxes sem gasolina. Maldonado era POLE-POSITION!

Na corrida, no outro dia, tensão a todo momento nas mais de 1h40min até a bandeirada. A perda da posição na largada, a troca de posições com Alonso na, salvo engano, segunda rodada de pit-stops e uma hercúlea resistência nas voltas finais faziam de Pastor Rafael Maldonado Motta, declaradamente chavista, o primeiro venezuelano a vencer uma corrida na maior categoria do automobilismo mundial, a ponto de Galvão Bueno, o rei das pérolas, reconhecer: “Olha, garoto, hoje você tirou carteira de piloto.”

Política e F-1, as grandes paixões do editor-chefe. Maldonado, um piloto de esquerda, vencia um GP no país cujo chefe de Estado certa vez havia mandado Chávez calar a boca. O mundo poderia acabar ali depois de muita veia do pescoço estufada e algumas lágrimas não contidas.

Naquele mesmo ano, a namorada do editor-chefe terminaria sua graduação universitária e voltaria a morar em Americana (SP). Seria muito difícil para o editor-chefe manter um relacionamento separado por uma viagem de ônibus de mais de oito horas.

Feito o juramento profissional e carteira de advogado em mãos, o editor-chefe deixaria de trabalhar na construção civil e se mudaria para Piracicaba (SP), onde naquele tempo matou três coelhos numa cajadada só: foi trabalhar na sua área, ficou perto da namorada e tirou a carteira de motorista.

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