30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 21 – O CARROSSEL DE CUCA

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8 de janeiro de 2016 por Lucas Rafael Chianello

Originalmente são-paulino, o editor-chefe torce para o Botafogo, no Rio, por causa de seu pai. Três eram os títulos alvinegros que o editor-chefe não esquecia: o Brasileiro de 1995, o Carioca de 1997 e o Rio-São Paulo de 1998.

Porém, o Botafogo, como todo clube brasileiro mal administrado, principalmente os do Rio, passou por poucas e boas, ou melhor, muitas e ruins. Foi parar na segunda divisão, voltou e aos poucos tentava se reconstruir na administração do Bebeto de Freitas, sobrinho de João Saldanha.

Campeão Carioca em 2006 com um time não lá essas coisas, fez um campeonato brasileiro regular para terminar no meio da tabela. Porém, em 2007, com a chegada do técnico Cuca e alguns jogadores como Juninho, Joílson, Túlio, Leandro Guerreiro e o quarteto ofensivo Lúcio Flavio, Zé Roberto, Jorge Henrique e Dodô, mais o André Lima na reserva, o time de Garrincha, Didi e Nilton Santos encantava com seu futebol vistoso e ofensivo.

Porém, esse time tinha um sério ponto fraco: o goleiro. Depois de atuações irregulares de Lopes e Max, Julio César pega um pênalti contra o Fluminense. O Fogão chega na final do Cariocão contra o Flamengo e abre 2×0 de vantagem. Ai, os goleiros.

Julio César, que atuava bem até então, dá um carrinho violento e é expulso. Não jogaria a segunda partida da final. Max entra e quase pega o pênalti. 2×1.

Cruzamento da esquerda. Max sai, voa, pega e deixa a bola cair. No pé do adversário. 2×2.

No jogo de volta, o Flamengo abre 1×0, o Botafogo vira, o Flamengo empata e no último lance do jogo, Dodô, em posição legal, faz o 3×2 que daria o título. Gol anulado e Dodô expulso. Flamengo campeão nos pênaltis.

Mas ainda tinha a Copa do Brasil. O pai do editor-chefe tinha ido a Poços de Caldas (MG) para uma viagem de trabalho que coincidiu com o jogo de volta da semi-final entre Botafogo e Figueirense. Maracanã lotado. No jogo de ida o Figueirense havia vencido por 2×0. O Botafogo encurrala o adversário e iguala o placar no jogo volta.

Ai, a arbitragem, que nunca erra com os outros! Zé Roberto, em posição legal, marca. A bandeirinha Ana Paula de Oliveira anula. Ai, os goleiros! Ai, Julio César. Frio, sem ter sido testado o jogo inteiro, leva um frango daqueles no último minuto. O Botafogo ainda faria um gol no lance seguinte, mas os 3×1 dava a vaga na final para o Figueirense pelo critério dos gols marcados fora de casa.

Após um início contundente no Campeonato Brasileiro e algumas rodadas na liderança, Dodô é flagrado no doping. André Lima passa a ser titular e num momento em que o Botafogo vê sua queda de rendimento não ser páreo para o pragmático São Paulo de Muricy Ramalho, André Lima, artilheiro do campeonato, é vendido para o Herta Berlim.

Na Copa Sul-Americana, depois de estar vencendo o River Plate por 2×1 em pleno Monumental de Nuñez, uma sonora virada de 4×2, com três de Falcão Garcia.

Ainda sim, valia a pena torcer para aquele Botafogo, incompetente nas horas decisivas em alguns momentos, perseguido pela arbitragem em outros. Valia a pena acreditar num sério projeto de reestruturação liderado por um Bebeto, sobrinho de um João, que diante de todas as dificuldades vividas pelo clube, aumentadas pela cobertura midiático-desportiva claramente enviesada a favor do Flamengo, colocava o clube num patamar diferente dos vividos nos anos anteriores. Em meio a tudo isso, um estádio foi conseguido, o Engenhão.

Aos 21 anos, quando pouco depois de completar um ano morando sozinho sua irmã voltou para casa, o editor-chefe tinha seu amor pelo Botafogo exponencialmente aumentado.

Na mesma época, muito gratificante foi a presença do editor-chefe nas convenções paulista e nacional de Solidariedade a Cuba ocorrida naquele ano. A paulista, no campus da rua Monte Alegre da PUC, em São Paulo (SP). A nacional, no Sesc de Contagem (MG). Um dos maiores aprendizados políticos do editor-chefe ao conviver com um mar de militantes, partidos, movimentos sociais e agentes governamentais, seja do Brasil ou de Cuba.

Num ano em que descobriu sua vocação alvinegra e muito aprendeu sobre o socialismo no contato com cubanos e solidários a Cuba, a aquisição literária não poderia ser outra: João Saldanha, uma vida em jogo, de André Iki Siqueira, adquirido dias antes de completar 22 anos.

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