30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 19 – A ENTRADA NO MERCADO DE TRABALHO

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4 de janeiro de 2016 por Lucas Rafael Chianello

Um começo: a faculdade, agora no seu segundo ano. Um recomeço: a reestruturação do lar após seu pai não ter obtido uma das cadeiras da Câmara Municipal de Poços de Caldas.

Desmontado o comitê e empossados o novo prefeito municipal e os novos vereadores, era hora mais do que nunca de trabalhar para ganhar a vida. O pai do editor-chefe, que durante muito tempo tinha trabalhado numa multinacional, investiu num negócio familiar: um bar e pizzaria.

Trabalho duro sem descanso, nem dominical, apesar de querê-lo. Por volta das 16h30min, 17h, o estabelecimento era aberto. Hora em que chegava o pizzaiolo para acender o forno. Algumas bebidas eram já servidas aos primeiros e costumeiros fregueses que chegavam, até que no início da noite passavam a ser feitos os primeiros pedidos de pizza.

Por algumas vezes o pizzaiolo não compareceu. Lá ia o editor-chefe cuidar de servir as mesas enquanto seu pai se virava para fazer pizza. Vez ou outra com ajuda de alguém da família, vez ou outra sozinho, mesmo. Ali perto da meia-noite, para mais ou para menos, na hora de fechar o caixa, quando o descanso fazia de tudo para ser contemplado, ainda mais trabalho: deixar tudo pronto para o outro dia, por mais sono que custasse. Dormir às 5h da manhã assistindo a última estação de TV sair do ar é muito mais gostoso.

Os compromissos profissionais e universitários do editor-chefe, somados a outros fatores de ordem subjetiva, encerrariam sua frequência nas reuniões da Ordem Demolay.

Foram dias e noite em que o editor-chefe e sua família muito se esforçaram. Claro que brigas e episódio engraçados, que o editor-chefe conta em rodas de conversa com os amigos, vieram no pacote. Porém, o início do segundo ano universitário fazia o editor-chefe retomar o foco dos seus estudos. Ficava para trás o trabalho familiar e todos os ônus e bônus proporcionados.

Ainda naquela época, o editor-chefe iniciava suas aulas de direção na autoescola e reprovou no primeiro dos vários exames de rua tentados em Poços de Caldas (MG). Concomitantemente, inscreveu-se num concurso do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, mas não foi fazer a prova no dia por não ter estudado. Tudo isso o levou a começar a trabalhar no escritório de advocacia com o seu tio, o primeiro emprego com carteira assinada.

Em meio a tudo isso, a prática constante da militância política, agora como oposição local, quando todos são surpreendidos com o estouro da maior patifaria midiática da história brasileira: o escândalo do “mensalão”. Como há males que trazem bem, o editor-chefe, na busca por aliados na defesa de Lula, conheceu pessoas incríveis, completas em todos os âmbitos (político, pessoal, intelectual, etc), com as quais convive até hoje. Pessoas que apostaram como ninguém no ideário do editor-chefe e sempre lhe fazem recordar o que Lula disse certa vez: “Nem todo irmão é companheiro, mas todo companheiro é irmão.”

Tudo isso para que enquanto o São Paulo buscasse o tri-campeonato mundial, o editor-chefe fosse, desarmado, apenas com a roupa do corpo, covardemente ferido no peito por uma bala de borracha nos protestos municipais de 15 de dezembro de 2005 contra o aumento da passagem de ônibus.

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