30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 15 – PAIXÃO PELA HISTÓRIA

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30 de dezembro de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Antes de tudo: a internet chegava na casa do editor-chefe. Discada, com acesso somente depois da meia-noite e nos finais de semana somente depois das duas da tarde, para pagar um só pulso telefônico. Tudo confirmado pelo serviço de atendimento ao cliente. O primeiro site acessado? O Ancestry, do qual o editor-chefe e o seu pai tinham recebido a dica de um colega de trabalho dele, para buscar possíveis parentes com o mesmo sobrenome.

Com 15 anos aguçava-se ainda mais a paixão do editor-chefe pela história. Entretanto, se por um lado ele não faltou em nenhum dos dias letivos da escola no primeiro ano de ensino médio, por outro dificuldades vieram com um ritmo de ensino diferente no segundo grau e outras cositas más que atrapalharam.

Lá foi o editor-chefe se desdobrar para recuperar médias perdidas e ter terminado bem um ano em que aumentou ainda mais sua paixão pela matéria preferida na escola: História. Naquele ano o editor-chefe assistiu O Nome da Rosa e mergulhou no feudalismo e num estudo sobre os árabes nas aulas da Valdete, professora que muito o valorizou.

Mas o melhor foi um trabalho junto a alunos do segundo e terceiro colegial na feira do conhecimento. Um mosteiro medieval foi montado na cantina da escola. O editor-chefe, vestido com um balandrau negro e com uma espada na mão (arrumados, claro, pela Valdete), ficou responsável de explicar como se dava o processo inquisitório e como eram os instrumentos de tortura. Ninguém menos que o Paulo Tadeu, na qualidade de prefeito municipal, apareceu para conferir. Nota máxima em história naquele semestre. 100 redondinho no boletim.

Tudo isso num dos lugares de maior valor frequentado pelo editor-chefe: a escola pública.

Naquele ano, no mesmo dia em que esteve no Espaço Cultural da Urca para uma exposição de materiais arqueológicos egípcios, o mundo ficava chocado com os ataques às torres gêmeas do World Trade Center. Num debate promovido pelo professor de português, a posição do editor-chefe compreensiva ao atentado geraria polêmica. A argumentação, indagativa: “Por que choramos as vítimas do WTC, mas não nos sensibilizamos pelas guerras patrocinadas pelos EUA?”

Ainda naquele ano, o editor-chefe foi iniciado na Ordem Demolay e passou a jogar muito RPG (depois discorremos sobre, aqui). Numa dessas noitadas de Vampiro, Lobisomem e D&D, seu pai o telefona na casa de um amigo e diz que, quando chegasse em casa, para conferir um CD dos Beatles sobre a mesa do computador. Toda a discografia do quarteto de Liverpool, ali, o fez ter certeza de qual era a maior banda de todos os tempos.

Mas há outro episódio que merece recordação. Um amigo tinha emprestado ao editor-chefe uma fita cassete com umas músicas de rock progressivo chamadas de Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Aliás, naquele ano o editor-chefe fissurou na lenda arthuriana. Seu pai fez questão de locar um VHS de Excalibur. Mas quanto à música: quando, num sábado, ele coloca a fita para tocar, seu pai pergunta:

– Você está escutando meus vinis do Rick Wakeman?

– Rick Wakeman?

– É, uai! Isso aí que você está ouvindo são meus vinis do Rick Wakeman.

– Não, pai. É uma fita que um amigo me emprestou. Chama Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

– Que isso, Lucas! Isso aí é Rick Wakeman! Eu tenho o vinil disso aí.

O editor-chefe simplesmente não acreditava que seu pai tinha um dos maiores clássicos do rock progressivo em vinil, que estava com um dos sobrinhos de sua ex-mulher junto com o Jornada ao Centro da Terra. Tão logo soube do paradeiro dos vinis, foi buscá-los. Dali em diante estava criado um pacto de sangue com o rock progressivo. As aulas de violão com o Alexandre Almeida e as dicas musicais do Murilo e do Helião facilitaram o editor-chefe a descobrir a grandeza de bandas como Emerson, Lake & Palmer, Pink Floyd, YES, Genesis, Camel, King Crimson, Gentle Giant, etc. A descoberta pelo Focus merece um capítulo a parte, que será publicado ao longo da série.

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