30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 12 – EMBRIÃO DE GENTE GRANDE

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29 de dezembro de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Super Nintendo, artigo de consumo. A infância toda o editor-chefe passou vendo seus amigos praticarem diversão eletrônica através de um dos consoles mais vendidos de todos os tempos. Eis que aos 12 anos de idade, ao chegar de férias passadas em Uberaba (MG), onde moravam seus avós maternos, seu pai finalmente lhe presenteia com aquele que, na época, era disparado o maior videogame de todos os tempos. Impossível conter as lágrimas na hora de abraçar o pai e agradecê-lo.

Algumas mudanças ocorreram na vida do editor-chefe em seus 12 anos de idade. Quando se cresce, um simples fato significa a mais radical e traumática mudança. Alguém te pergunta em qual série você está. Basta estufar o peito, erguer o nariz e dizer: “Estou na sexta série. Agora estudo pela manhã.”

Ou então algo como: “Eu tenho responsabilidade. Levanto cedo e vou para a escola. A aula começa às sete.”

A mudança foi tão brusca que tão logo começou a estudar de manhã, o editor-chefe foi ao cinema sozinho pela primeira vez. Era um dia de semana, ainda no início do ano letivo. As salas de cinema estavam lotadas para Titanic, um dos maiores campeões de bilheteria da história. O menino que (achava que) se tornava gente grande continuava a ir ao cinema com o entusiasmo infantil de sempre numa das telas do já inexistente Cine São Luiz. Pecado mortal permitirem fechá-lo.

No ano em que o Raí voltou ao São Paulo Futebol Clube, o editor-chefe foi novamente passar as férias em Uberaba (MG). Lá, o editor-chefe viu, com seu avô, os GPs da Inglaterra e da Áustria, vencidos, respectivamente, por Schumacher (numa outra postagem recordamos a polêmica) e Hakkinen. Embalado pela velocidade e aproveitando a TV por assinatura, todo dia, meia noite, tinha Speed Racer.

Também em Uberaba, o editor-chefe viu, com seu avô, a vergonha dos 3×0 gauleses sobre a seleção da CBF, com dois gols do argelino Zinedine Zidane. A final já tinha começado antes do apito inicial com a notícia de que Ronaldo não seria escalado. Desde então o editor-chefe nunca mais torceu para o Brasil no futebol. Ainda em Uberaba (MG), o editor-chefe viu a privatização do setor de telefonia, um desses casos de corrupção não investigados no Brasil que originaram A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.

Ao voltar para a casa daquelas férias, aquela viria a ser a última vez que o editor-chefe estaria com o seu avô. Décio Moreira, notável promotor de justiça em Uberaba, faleceu de leucemia no dia 15 de setembro de 1998. Era o preço que a vida pagava pelo desgosto da morte da mãe do editor-chefe.

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