30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 11 – O CARRO ZERO KM

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26 de dezembro de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Com onze anos de idade o editor-chefe estava na quinta-série, último ano em que estudou de tarde. Foi nesse ano que em alguns dias de férias ele conheceu o Maracanã. Passava uma temporada de férias em Juiz de Fora (MG) quando então seu tio, casado com uma das suas tias paternas, mais o avô e um trabalhador rural o levaram ao templo de futebol.

A partida, de certa forma, uma vergonha. Fluminense x Cruzeiro. Não bastasse ver o alvi-celeste de Belo Horizonte quase sempre em Poços de Caldas (MG) nas partidas do Campeonato Mineiro contra a Caldense, lá estava o tal esquadrão novamente no gramado. Mas por que vergonha?

O Fluminense havia sido rebaixado no ano anterior. Porém, uma suposta combinação de resultados teria adulterado o resultado de algumas partidas. Salvo engano do editor-chefe (Google free), arranjos entre Corinthians e Atlético Paranaense. Houve, então, a chamada virada de mesa, o campeonato teve o número de participantes “inchado” e o Fluminense disputaria novamente a primeira divisão, com direito a estouro de champanhe nas Laranjeiras e tudo.

De nada adiantou o ponto tricolor conquistado num empate naquela noite, com gol de Roni. Ao final do campeonato daquele ano, o Fluminense seria novamente rebaixado e apesar de manobras posteriores em anos seguintes, nada o salvou, inclusive de disputar a Série C.

Mas o fato mais curioso daquele ano ocorreu semanas antes. As irmãs do editor-chefe passavam alguns dias das férias escolares de julho em Presidente Prudente (SP), enquanto ele ficou com seu pai em Poços de Caldas (MG). Naqueles dias seu pai especulava a troca do carro por um zero quilômetro. A resposta viria numa sexta-feira, antes do editor-chefe e o pai buscarem as irmãs.

– E aí, pai, trocou o carro?

– Infelizmente não. Faz o seguinte: nós vamos sair para comer alguma coisa. Vá para o carro e me espere lá. O carro está ali na frente.

– Tá bom.

No momento em que o editor-chefe abre o portão da garagem, um Fiat Tempra 16V estacionado ali na frente:

– Puuuuuuuuuuta que pariuuuuuu!!!!! Meu pai é foda!!!!! Meu pai comprou um Tempra 16 válvulas!!!!!

Naquele tempo não se dizia “Ele é o cara.” Coube, então, ao vizinho de cima, pouco mais novo do que o editor-chefe, avisá-lo:

– O carro do seu pai é aquele ali.

Era um Ford Fiesta 1.0. “Esse é bom também, né pai?”, teria dito o editor-chefe quando entraram no carro.

Depois do Volkswagen Passat, do Fiat 147 destruído num acidente com o padrinho do editor-chefe no volante, do Ford Corcel II, do Ford Del Rey, do Ford Escort e do Chevrolet Monza, o Ford Fiesta 1.0, com uma longínqua viagem a ser feita logo após sair da concessionária, era o primeiro carro zero quilômetro adquirido pelo pai do editor-chefe.

A custo de muito, mas muito trabalho mesmo. Além dos limites econômicos e da clássica e corretíssima divisão marxista da sociedade entre patrões e empregados, no que pese o pai do editor-chefe ser aquilo que John Lennon chamava de Working Classe Hero.

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