30 ANOS EM 30 DIAS – ANO 7 – O MAIS DIFÍCIL

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22 de dezembro de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Em primeira pessoa

Era manhã. Minha mãe, minha irmã, meus tios e avós maternos iriam para Borda da Mata, cidade do sul de Minas Gerais de origem da minha família materna. Eu não queria ir. Estava jogando futebol na rua de casa e quando saíram de viagem, minha mãe veio e se despediu de mim.

Ficamos em Poços de Caldas (MG) eu, meu pai e o nosso primo que na época morava conosco. De repente, num momento da tarde, meu pai me coloca no carro e fomos para a casa da minha tia/madrinha. À essa altura eu já estava sabendo que minha família tinha sofrido um acidente na estrada.

Diante da ocasião, fiquei alguns dias na casa da minha tia/madrinha. Um dos meus tios não precisou ficar no hospital e o outro foi, dos acidentados, o primeiro a ter alta. Em seguida, no outro dia, teve alta a minha irmã e daí por diante. Exceto minha mãe, que ficou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com o maxilar deslocado, costelas quebradas e pulmão perfurado. Meu avô precisou ter a testa suturada e minha avó durante muito tempo teve um problema num dos braços, a ponto de ter de ser operada.

Passados alguns dias do acidente, todos fora do hospital, exceto minha mãe, e uma das minhas tias paternas vem de Juiz de Fora (MG). Estava eu na casa dos meus melhores amigos quando meu pai e minha tia chegam e nos chamam para passear. Fomos ao Parque Municipal e meu pai nos coloca sentados numas toras de madeira que estavam sendo utilizadas para a construção da pista de bicicross. Ele não contém a emoção e nos diz que a minha mãe estava no céu, algo no qual deixei de acreditar tempo depois no início da minha maioridade.

Na parte da tarde fomos ao velório. Antes de chegarmos, a minha tia paterna, num ato de bravura e imensa força num momento extremamente difícil, pediu solenemente a palavra e solicitou a todos que contivessem suas emoções durante a presença minha e da minha irmã. Olhamos minha mãe pela última vez e fomos embora.

Aos meus sete anos de idade, no dia 21 de julho de 1993, Carmem Cecília Moreira Chianello, a Chila, nos deixava.

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