REDES SOCIAIS, A ASSASSINA DA POLÍTICA

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17 de novembro de 2015 por Lucas Rafael Chianello

O mundo atual vive um triste processo de defesa, sem qualquer pudor, de causas nazi-fascistas. Assume-se de forma descarada a preferência por ditaduras, a vontade deliberada de se derrubar governos eleitos, o anseio para que todos possam ter arma de fogo, o apoio a linchamentos e assassinatos sumários (inclusive pelas polícias), xingamentos racistas explícitos, etc. Muitos desses posicionamentos são publicados nas redes sociais por pessoas que não os assumem em companhia de outros, seja numa roda de conversa ou num debate universitário, por exemplo.

Porém, após os repugnantes atentados ocorridos em Paris na última sexta-feira, palavras como “mais amor e menos ódio”, “fazer o bem sem ver a quem”, “aqueles franceses mortos eram inocentes”, “perdemos a noção de amor e de próximo”, “a vida de um francês vale a mesma de um palestino”, dentre outras, somente serviram para tapar o sol com a peneira.

Um atentado das dimensões como o que ocorreu em Paris merece uma atenção especial em suas análises (nos links abaixo, sugestões) de modo que digitar login e senha faz muitos palpiteiros tornarem-se especialistas naquilo que não sabem. Se por um lado ser jornalista de si mesmo é a graça das redes sociais, por outro é trágico, pois anula uma análise criteriosa de algo que não é simples. Logo, discutir nas redes sociais fatos dessa dimensão com palavras sentimentalistas e despolitizadas somente contribui, pasmem, para a causa nazi-fascista, pois as relações humanas são eminentemente políticas e negar a política é expediente nazi-fascista.

Não se trata, portanto, de se indignar com uma suposta competição pela maior tragédia, mas sim de discutir o que leva fatos como esse a acontecer, bem como o símbolo de solidariedade às suas vítimas.

Boa parte dos usuários das redes sociais colocaram a bandeira da França como marca d´água na foto do perfil e não gostaram de serem criticados por isso. A resposta que mais deram foi que se iniciava uma competição de tragédias na internet. Esse argumento despolitiza uma questão estritamente política, assim como frases de retórica sentimentalista do tipo do início do texto (“mais amor e menos ódio”, “perdemos a noção de amor e de próximo”, etc), pois resume de forma simplista um problema estrutural e histórico ao sentimento de vingança dos terroristas.

Em política trabalha-se com os conceitos de sociedade civil e Estado. Pois bem, soube-se cerca de ano atrás que a França (Estado francês) foi um dos que patrocinou rebeldes na tentativa de derrubar o governo de Bashar Al-Assad, na Síria. Quem são esses rebeldes? O mesmo Estado Islâmico que, fora de controle, promoveu a carnificina em Paris. Quer queira, quer não, Al-Assad está correto ao dizer que a França sofreu no último dia 13 de novembro o que a Síria sofre há cinco anos. E quem, nesses últimos cinco anos, se solidarizou à Síria contra o Estado Islâmico?

Não é questão, portanto, de postar nas redes sociais que falta amor e carinho para com os seres humanos, mas sim de utilizá-las com o propósito de promover um debate qualificado sobre aquilo que diz respeito aos problemas da humanidade a partir dos conceitos que realmente compõem os acontecimentos. Do contrário, somente se continuará a contribuir com a desqualificação da política e aí Umberto Eco estará correto: “As redes sociais deram voz aos imbecis”, enquanto a saudosa Inezita Barroso, que não tinha computador em casa, está certa há tempos: “A internet banalizou as relações humanas”.

Para saber mais sobre os atentados ocorridos na França:

O CHORO DE HOLLANDE, LÁGRIMAS DE CROCODILO

AS RAÍZES DO TERROR ISLÂMICO. POR PAULO NOGUEIRA

HOLLANDE ADMITE QUE FRANÇA ENTREGOU ARMAS A REBELDES ARMADOS NA SÍRIA

AL-ASSAD: FRANÇA CONHECEU ONTEM O QUE VIVEMOS NA SÍRIA HÁ CINCO ANOS

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Um pensamento sobre “REDES SOCIAIS, A ASSASSINA DA POLÍTICA

  1. Alexandre Galan disse:

    Lucas primeiro que se não fosse as Redes Sociais qual outro meio democrático e acessível você estaria divulgando suas idéias? As redes sociais não são bicho papão e elas não tem controle de conteúdo e são assim, as pessoas que estão atrás delas é que são nazista e fascista e socialista ou capitalista essas mesmas pessoas que precisam de uma educação de qualidade, as redes sociais são um espaço livre para debate de idéias e para tudo o que nos produzimos de conteúdos,

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