UM ANO. CARTA ABERTA A DILMA

Deixe um comentário

26 de outubro de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Excelentíssima Senhora Dilma Vana Rousseff, presidenta da República Federativa do Brasil:

Claro que tenho críticas ao seu governo. Porém, como sou filiado ao Partido dos Trabalhadores e votei em ti, deixarei as críticas para o foro competente: nossas fileiras.

Fato é que teu segundo mandato sofre com o divórcio descarado da democracia pelos conservadores. Uma vez que o povo brasileiro, através das urnas, não os outorga mais os mandatos, o que lhes resta é a via excepcional para que a senhora, uma vez reeleita, não termine esses quatro anos restantes.

Querida presidenta: concordo com Vossa Excelência quando diz preferir o barulho das democracias ao silêncio das ditaduras. Entretanto, vivemos num país cuja comunicação concentra-se em conglomerados privados falados, escritos e televisionados que apoiaram o golpe de 1964 e fez da senhora uma de suas vítimas. Basta verificar os editoriais e manchetes daquele tempo.

Essa gente não tem escrúpulo, humanidade e esses conglomerados privados da comunicação passam, até hoje, impunes de todas as sevícias e torturas psicológicas que causaram a todo um país. E foram esses conglomerados privados da comunicação que se esforçaram da forma hercúlea para que Vossa Excelência não fosse reeleita.

Precisamos, presidenta, de uma reforma política porque, dentre outros motivos, o mais poderoso partido político que se tem nesse país é o oligopólio da comunicação. Os principais partidos de oposição, principalmente a sacrossanta aliança formada pelo Partido da Social-Democracia Brasileira e o Democratas (que no passado foi a Arena, de sustentação da ditadura), somente maquiam-se enquanto legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral quando na verdade os principais conteúdos dos grandes conglomerados privados da comunicação são seus panfletos e programas partidários.

Há um ano, presidenta, eu e um dos meus melhores amigos e companheiros de todas as horas montamos uma espécie de comitê na casa dele. Na verdade, tudo se resumiu a ligar o computador numa tomada, com acesso a um wi-fi, para acompanharmos a apuração das urnas através do aplicativo oficial da Justiça Eleitoral, pois diante das tantas mentiras contadas pelos conglomerados privados da comunicação que apoiaram a ditadura e fizeram campanha contra a senhora, só nos restava, em tempos da internet, a informação vinda das fontes primárias.

O tempo passou, presidenta, e agora a oposição não te deixa governar. Nas palavras dos intelectuais recentemente reunidos na Universidade de São Paulo, buscam de maneira sôfrega uma interpretação plausível jamais encontrada para deflagrarem o impeachment. Óbvio que estes homens meigos não passarão sobre uma mulher firme, mas as coisas não podem mais continuar como estão. Nas suas próprias palavras, “Eu brigo até a hora do voto.”

Não dá mais, presidenta, para seu governo e o país serem travados por alguém que comprovadamente escondeu dinheiro na Suíça, conforme provas do próprio Ministério Público suíço já em mãos do Procurador Geral da República segundo as notícias que nos chegam por grupos de comunicação alternativos.

Não dá mais, presidenta, para seu governo e o país serem travados por um sujeito mal perdedor que se utiliza de manifestações nas quais referem-se à senhora de maneira machista, sexista e misógina. Sujeito esse que junto de seu sucessor enganou a nós, mineiros, com histórias de déficit zero enquanto nos deixou uma dívida bilionária em meio a construção de um aeroporto nas terras da própria família, cujos alguns membros inclusive compuseram seu governo. Eis os nepotistas, moralistas sem moral!

É essa, presidenta, a mesma oposição que hoje ergue o tom para te acuar e falar em “cortes de gastos”, quando na verdade pretende construir um triste Brasil do “cada um por si e deus por todos”, pois como a senhora mesma discursou recentemente na abertura do Congresso da Central Única dos Trabalhadores, a questão não é simplesmente contra ti, mas contra aquilo que a senhora representa.

Até 1º de janeiro de 2019, a única e legítima presidenta do Brasil atende pelo nome de Dilma Rousseff.

Até 1º de janeiro de 2019, a única e legítima presidenta do Brasil atende pelo nome de Dilma Rousseff.

Querida presidenta: os regimes totalitários europeus e as ditaduras militares do cone sul no século XX, da qual a senhora foi vítima física, demonstram que o companheiro Valter Pomar está correto: “Não se combate o fascismo com bons modos.” Não clamo, aqui, por qualquer medida que estabeleça exceção autoritária, mas conforme aprendi certa vez, “À democracia também se reserva suas punições.”

Que se tomem as medidas, dentro da lei, para que a escolha da maioria de ano atrás seja inquebrantável e os golpistas punidos.

Um grande abraço e conte comigo para a continuidade das medidas necessárias para a melhora de vida do povo do nosso país.

Do teu eleitor, no aniversário de sua vitória, que é nossa.

Lucas Rafael Chianello.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: