A OPERAÇÃO LAVA JATO É GOLPE PARAGUAIO

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2 de agosto de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Se em alguns países do mundo há regimes despóticos que eternizam oligarquias no poder, em outros há uma democracia consolidada na qual há alternância mediante eleições. Nesse contexto, o Brasil situa-se numa espécie de inquietude intermediária. Collor responder a um processo de impeachment, FHC articular a reeleição, Eduardo Cunha votar duas vezes a mesma matéria e Aécio Neves da Cunha não aceitar o resultado das urnas indica tentativas (algumas consumadas) de subversão da democracia. Tudo isso com profissão de fé da grande mídia.

E como o Judiciário, um poder cujos membros não são submetidos ao voto popular, se comportou e comporta diante desses e outros fatos?

O Judiciário permitiu a extradição de Olga Benário à Alemanha nazista, declarou vaga a Presidência da República no golpe de 1964, julgou o “mensalão” do PT enquanto desmembrou o “mensalão” do PSDB, e decidiu por arquivar o inquérito do metrô de São Paulo. Tudo isso também com profissão de fé da grande mídia. Em Poços de Caldas a seletividade judicial foi vista nas eleições municipais de 1996, quando a Justiça Eleitoral homologou o resultado de eleições nas quais urnas foram extraviadas.

Essas decisões afrontaram, invariavelmente, segmentos políticos que não as tradicionais elites de sempre. Agora não é diferente, ainda mais quando o jornalista paranaense Esmael Morais informa que o juiz federal Sérgio Moro, que processa a operação Lava Jato, seria Ministro da Justiça num suposto governo do derrotado Aécio.

A Wikileaks, rede de divulgação de segredos de Estado, recentemente informou que a esposa de Sérgio Moro, a advogada Rosangela Wolff Moro, presta assessoria jurídica para petrolíferas internacionais, partes interessadas na volta do antigo regime de concessão de exploração do petróleo, substituído pelo regime de partilha. Quem não se lembra das tabelinhas entre Aécio e Pastor Everaldo, nos debates, para denunciarem corrupção na Petrobras? A cereja do bolo tucano é a apresentação de um projeto de lei de autoria de José Serra, um dos grandes mentores das privatizações, que tira da Petrobras a exclusividade de exploração do pré-sal.

Eis, portanto, a realidade que instiga o juiz Sérgio Moro a utilizar delações premiadas como forma absoluta de provas para prender executivos de grandes empresas que possuem contratos com a Petrobras. Empresas essas que investiram mais em Aécio do que em Dilma nas últimas eleições, mas é o tesoureiro do PT, João Vaccari, que está preso.

A tática de desestabilizar judicialmente o país sobre o estratégico setor energético ficou ainda mais clara quando Moro decretou a prisão temporária do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, tido como pai do programa nuclear brasileiro. Sem que o almirante tenha exercido o direito de defesa e produzido qualquer prova, concluiu-se pelo recebimento de propina.

François Guizot, primeiro-ministro francês do século XIX, dizia que “Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. Moro, segundo renomados juristas, remete à ditadura com seus sórdidos métodos de obtenção de provas em depoimentos. É o novo Joaquim Barbosa no papel de Torquemada: a esperança de forças políticas que almejam a vitória sem voto nas urnas. Historicamente alinhado aos mais reacionários setores da sociedade brasileira, o Judiciário controla e sanciona, mas não é sancionado e controlado. É dele que vem o golpe, como ocorreu com Fernando Lugo em 2012, no Paraguai.
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Para saber mais sobre o golpismo judiciário de Moro na Operação Lava Jato:

SÉRGIO MORO, UM JUIZ A SERVIÇO DA TV GLOBO E DO PSDB
REPRESENTAÇÃO CONTRA MORO ESTÁ COM A MINISTRA NANCY ANDRIGHI

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