JUNHO DE 2013: DOIS ANOS DEPOIS, OS EFEITOS

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24 de junho de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Quando Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) anunciaram o aumento da tarifa do ônibus e do metrô, de R$ 3,00 para R$ 3,20, o MPL (Movimento Passe Livre) deflagrou protestos que foram fortemente reprimidos pela Polícia Militar paulista. Segundo Alckmin, tratava-se de um “movimento político”. O que concluir sobre o discurso de criminalização da política senão nazi-fascismo?

Na defesa do governo de São Paulo, a fortaleza intransponível da direita brasileira, editoriais dos jornalões endossavam a PM. Arnaldo Jabor, o cineasta fracassado que se tornou comentarista, disse que os manifestantes não valiam nem R$ 0,20. Porém, o recrudescimento da PM tomou proporções ainda mais estarrecedoras e gerou um enorme estado de comoção nacional. As manifestações generalizaram-se e as mais diversas bandeiras políticas tomaram as ruas do país, o que levou Arnaldo Jabor a se retratar.

Para Marilena Chaui, as jornadas de junho não mudaram o país porque não resultaram em nenhuma reforma estrutural da sociedade brasileira (urbana, agrária, política, judiciária, etc) e generalizaram-se a partir do momento em que as redes sociais passaram a ser um instrumento de convocação que dispensava o debate. A revogação do aumento da passagem somada ao aproveitamento do momento levou uma multidão a ser tomada pelo imediatismo irracional expressos em palavras de ordem como “nenhum político me representa”, “sou contra isso que está aí”, “meu partido é meu país”, “chega de explorar a classe média”. Foi justamente a partir desse momento que a direita deu sua tacada de mestre: continuou promovendo as manifestações após apoderar-se da sua pauta por meio de seu maior partido: a imprensa.

Do Manifesto de Marx e Engels consta "Proletariado, uni-vos!"

Do Manifesto de Marx e Engels consta “Proletariado, uni-vos!”

Diante de uma denúncia coletiva de que havia uma crise de representação política no país, a presidenta Dilma Rousseff (PT), após cogitar a convocação de uma assembleia constituinte para a reforma política, optou pelo plebiscito. Entretanto, o Congresso Nacional, responsável constitucionalmente pela convocação, não a fez, e os manifestantes, que diziam Brasil afora que nenhum político os representava, foram embora para a casa.

Poucos mais de um ano depois, denunciada a crise de representação política, Dilma foi reeleita presidenta paralelamente ao mais conservador Congresso Nacional desde a ditadura. No próximo dia 30 será votada a redução da maioridade penal, sendo que menos de 1% dos crimes são cometidos por menores. Essas e outras questões antipopulares, como por exemplo o projeto da terceirização trabalhista, somente são apreciadas porque Eduardo Cunha (PMDB/RJ), um oposicionista filiado a um partido da base governista, na qualidade de presidente eleito da Câmara dos Deputados, define a pauta de votações da casa.

Invariavelmente, os grandes movimentos de transformação histórica vieram acompanhados de grandes lideranças. A líder do MPL Mayara Vivian (quem?), não passou de ter minutos de fama no Fantástico e de dizer que não gostava dos políticos, mas dos Ramones. Pura denotação de falsa rebeldia acompanhada de palavras rasas.

O vazio político provocado pelas manifestações de junho de 2013 não foram, como dizia Luciana Genro (PSOL), reivindicação de mais direitos, mas sim uma regressão provocada por uma despolitização da sociedade que resultou no fortalecimento de setores conservadores que hoje são maioria, como nunca, no Congresso Nacional. Infelizmente, o resultado é esse, do qual não se pode fazer a leitura política ingênua fundada na ideia de que o junho de 2013 inaugurou um novo ciclo de luta do campo democrático popular.

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Um pensamento sobre “JUNHO DE 2013: DOIS ANOS DEPOIS, OS EFEITOS

  1. Coréi-JF disse:

    Os Seres Humanos apresentam-se como seres mutantes, e por natureza, realmente o são. Mas as instituições, em especial, a verdadeira esquerda desse país, ainda precisa continuar firme na luta e defensora de sua posição. Continue na luta. (fora do contexto: fogão rumo a primeira divisão…de novo!!!!)

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