CRIMINOLOGIA E PSICOLOGIA CONJUGAL DE BOTECO

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22 de junho de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Poços de Caldas, que durante muito tempo foi tida como uma cidade pacata, não é mais uma cidade segura para se viver.

Espalha-se a notícia desta climaticamente aprazível cidade turística do sul de MG, de cerca de 170.000 habitantes, de que uma mulher e sua filha de 3 (TRÊS) ANOS foram estranguladas pelo marido/pai, que teria descoberto uma traição conjugal através das redes sociais.

O suspeito, como deve ocorrer, terá o direito de se defender das acusações em juízo. Sua mulher foi calada para sempre.

Homens machistas são um dos cúmulos do absurdo de nosso tempo. Se traem, são os machões que naturalmente não foram feitos para serem monogâmicos. Tornam-se leões da fé quando, numa sociedade judaico-cristã, você simplesmente os questiona da existência de deus, a ponto de te ameaçarem fisicamente. É dessa forma que escondem as incertezas sobre sua própria fé.

Creem no único deus judaico-cristão como seu salvador, pois ele julgará os assassinos no dia do juízo final. Professam uma religião que prega a monogamia e condenam culturas e religiões nas quais homens podem se casar com mais de uma esposa. Na hora que traem, citam tratados de biologia de araque para justificarem que homem que é homem procura rabo de saia, mas à mulher que trai não cabe justificativa pseudocientífica: é puta, vagabunda e piranha, afinal de contas, se desejar a mulher do próximo é pecado, imagina desejar o homem alheio.

A tal lei mosaica refere-se tão apenas a não desejar a mulher do próximo. Se não há crime sem lei anterior que o defina, o que está oficialmente liberado é o desejo pelo homem alheio.

A menor tinha três anos de idade. A expectativa de vida de uma mulher no Brasil é de mais de setenta anos. A indefesa criança jamais criou qualquer expectativa.

Um ser puramente inocente passou para a estatística dos jovens e crianças que morrem antes de atingir a maioridade. Metade deles, dos 16 aos 18 anos, por arma de fogo.

Tudo porque há 10 (dez) anos, no referendo do Estatuto do Desarmamento, votamos contra a proibição da comercialização de armas sem conhecermos os argumentos de quem era favorável ao fim da comercialização. Tudo porque somente se questiona o adultério feminino, pois os machos das demais espécies também possuem mais de uma fêmea (machos esses infiéis como os das demais espécies e até mais irracionais, pois são os únicos que matam para não se alimentarem). Tudo porque pais de família espancam, estupram e estrangulam suas filhas e suas esposas, mas a solução para os problemas da violência é colocar o menor, responsável por 0,5% dos homicídios, na cadeia, junto com os adultos.

Bertold Brecht indagava “Que tempos são esses em que é preciso explicar o óbvio?” Favor nos avisar onde o óbvio se encontra. Tempos difíceis esses que vivemos. Perdeu-se a noção de tudo. Inclusive do ridículo.

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