A ESQUERDA AINDA NÃO VENCEU

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15 de abril de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Durante muitos anos a direita sempre criminalizou manifestações com o discurso de que eram coisas de gente que não tinha o que fazer. Porém, principalmente após a reeleição de Dilma Rousseff, a direita invocou o espírito lacerdista do “Se vencer, não assume. Se assumir, não governa” e passou a praticar as manifestações de rua como instrumento para tentar derrubar Dilma, o que muitos chamam de terceiro turno, que na verdade não passa de uma tentativa de golpe de Estado.

Entretanto, a força numérica do último dia 15 de março não refletiu no conteúdo. A repercussão daquele protesto foi de que tudo não passou de diversão caricata, ao invés de algo político propriamente dito, o que tornou os protestos do último domingo um retumbante fracasso. Com um número bem menor de participantes, o apoio da grande mídia não era o suficiente. O clima de frustração era flagrante na fisionomia dos repórteres e apresentadores que de intervalo em intervalo na programação noticiavam os fatos. Ainda sim, a acomodação deve ser prontamente refutada nas fileiras da esquerda, que muito ainda tem a lutar dentro do atual ciclo político.

Na semana passada os trabalhadores sofreram um duro golpe da Câmara dos Deputados com a aprovação do PL 4330/04, cuja finalidade é expandir o universo da terceirização trabalhista. Pouca atenção foi dada aos argumentos das centrais sindicais, como por exemplo que a terceirização torna precária a relação de trabalho, que o número de acidentes de trabalho em serviços terceirizados é muito maior e que a terceirização proporciona a perda de direitos. Sintomas do mais conservador Congresso desde a ditadura eleito, por financiamento privado, que se recusa a discutir com a sociedade a reforma política.

Outro golpe sofrido foi a permissão de tramitação da inconstitucional proposta de emenda constitucional da redução da maioridade penal, um assunto que tem sido tratado como palpite de loteria ao invés da devida importância e seriedade. Vitória em andamento dos apresentadores de programas policiais televisivos, cujos bordões jogados para tratados como plateia, como por exemplo “se pode votar, pode pagar pelo que fez”, são tidos como argumentos de riqueza inquestionável, enquanto não se menciona, por exemplo, que menos de 1% dos crimes são cometidos por menores e que ao contrário do que muitos dizem, diversos países do chamado primeiro mundo NÃO REDUZIRAM A MAIORIDADE PENAL. Muito pelo contrário. Há casos, como por exemplo na Alemanha e na Escócia, em que a aplicação da legislação para o menor infrator pode estender-se até os 21 anos de idade.

Por fim, declarações do Padre Fábio de Melo nas redes sociais sobre a separação entre Estado e religião demonstram a tragédia da proposta de se emendar o preâmbulo da Constituição para que dela conste que o poder emana de deus. O Estado é laico justamente para, ao não ter religião oficial, garantir a cada um a liberdade de praticar ou não uma religião conforme sua livre convicção. O Padre, a priori suspeito, ao fazer um paralelo do casamento homossexual entre as leis da Igreja e do Estado, demonstra perfeitamente que o direito da religião é de oferecer um código moral aos seus fiéis e não de tornar suas leis normas jurídicas de ordem pública.

O ímpeto dos coxinhas pela queda de Dilma, acompanhado de pedidos ridículos de intervenção militar, muito provavelmente perdeu diversos seguidores. Entretanto, não é o suficiente. É preciso derrotar as pautas impostas por um Congresso conservador. A luta continua.

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