O PRONUNCIAMENTO DE DILMA NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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8 de março de 2015 por Lucas Rafael Chianello

Dilma Rousseff​ saiu-se super bem agora a pouco em rede nacional.

Devido à conjuntura do momento, precisou ceder boa parte do espaço do Dia Internacional da Mulher para a economia, de modo a demonstrar como o país enfrentará (na verdade já enfrenta) a nova fase da maior crise econômica mundial do capitalismo desde 1929.

O assunto é chato, um porre. Devido a diversos fatores, é o que mais tem pautado as eleições presidenciais desde 1994, o que de certa forma, inclusive, demonstra algum grau de pobreza de discussão política no nosso país, haja vista que outros temas centrais e importantes são tratados secundariamente. Mas é nessa realidade que Dilma está inserida na qualidade de presidenta da República. Se nas palavras do leitor e colaborador deste Blog Chianéllico, Lucas Marciano, “O povo não quer saber de revolução, o povo quer comprar geladeira”, Marx, n´O 18 Brumário de Luis Bonaparte escreveu que “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”

Por essas e outras razões a economia foi o tema central de um discurso pronunciado no Dia Internacional da Mulher.

Entretanto, já no final do discurso, uma grande notícia às mulheres foi dada nesta data que vem a calhar: amanhã, Dilma Rousseff sancionará a lei que torna o feminicídio crime hediondo. Uma conquista de extremo significado num país de tradição machista e autoritária, que nos remete a um compromisso de Dilma firmado noutro ponto de seu discurso: a proteção aos mais vulneráveis. No caso, às mais vulneráveis.

O Dia Internacional da Mulher não é data de comemoração, mas sim data de recordações de lutas pela igualdade de gênero. Com a tipificação do feminicídio como crime hediondo, as mulheres conquistam uma proteção a mais diante da vulnerabilidade a qual são submetidas pelo machismo.

O discurso de hoje poderia ter sido ainda melhor em dois pontos. Primeiro, se a orientação da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) definisse classes sociais conforme o critério marxista de posição na relação de trabalho e não conforme conceitos de sociologia estadunidense baseados na quantificação da renda, pois quando Dilma cita a classe média (e a ascensão dos pobres a ela) como fator de inclusão social, ela insere no debate uma parcela da sociedade que, devido aos seus privilégios no capitalismo, não tem interesse na melhoria de vida dos mais vulneráveis, ainda que não seja classe dominante.

Sim, Marilena Chaui estava certa no dia em que disse que esbravejou ódio à classe média ao dizer que o grande trunfo dos governos Lula e Dilma não foi ascender pessoas de classe, mas sim melhorar as condições de vida da classe trabalhadora através de políticas públicas. Quem é de classe média não precisa disso. Muito antes pelo contrário. A classe média consome serviços privados que concorrem com serviços públicos e ainda percebe abatimento no imposto de renda!

Por outro lado, neste Dia Internacional da Mulher Dilma não poderia ter deixado de citar a inauguração da primeira Casa da Mulher Brasileira no último dia 3, em Campo Grande (MS). Perdeu-se a oportunidade essencial de informar à população que a estrutura é parte do Programa Mulher Viver sem Violência, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. (Viram por que Aécio iria cortar ministérios pela metade? Com ele não teria Secretaria de Políticas para as Mulheres).

A Casa da Mulher Brasileira contará com diversos setores, como por exemplo juizado, defensoria, promotoria e orientação para emprego e renda, além de uma DEAM (Delegacia de Especializada de Atendimento à Mulher) que funcionará 24 horas.

Registre-se que a presidenta e sua equipe mencionou tais medidas nas redes sociais, mas poderia ter mencionado hoje também.

Ainda sim, foi um importante discurso em rede nacional no qual Dilma assumiu responsabilidades perante a população diante de uma grave e profunda crise econômica mundial que já não chega no Brasil como uma marolinha.

Perto do final do discurso, palavras que merecem entrar para a história: “Temos de encarar as dificuldades em sua real dimensão e encontrar o melhor caminho de resolvê-las, pois se toda vez que enfrentarmos uma dificuldade pensarmos que o mundo está acabando ou que precisamos começar tudo do zero, só faremos aumentar nossos problemas. Precisamos transformar dificuldades em soluções. Problemas temporários em avanços permanentes. O Brasil é maior do que tudo isso e já mostrou muitas vezes ao mundo como fazer melhor e diferente. Mais que nunca é hora de acreditar em nosso futuro, de sonhar, de ter fé e esperança. Viva a mulher brasileira! Viva o povo brasileiro! Viva o Brasil!”

Liderado por uma mulher, verifica-se no Dia Internacional das Mulheres que o Brasil tem governo e comando.

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