MAIOR E MELHOR DE 2014

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28 de dezembro de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Em primeira pessoa.

Ano passado enumerei, em meu mural no facebook,  várias personalidades de diversos âmbitos sociais como destaque de 2013. Este ano farei diferente, elegi meu personagem do ano.

Nenhuma história de vida intrigou-me tanto quanto a sua (neste momento, fico emocionado).

Nascido na antiga Iugoslávia, brilhou como centro avante com a camisa do Nantes, no futebol francês.

Foi convocado para a seleção da Iugoslávia na Copa de 1982. Algumas versões dizem que ele não foi titular porque o técnico do time estava comprometido em valorizar o passe de outros jogadores.

Sua carreira como jogador terminou mais ou menos na mesma época em que ocorreu o desmanche iugoslavo. Durante a guerra civil que se fez, ele sofreu um atentado em sua própria casa e chegou a ficar hospitalizado.

Passaram-se os anos e eu pude verificar pessoalmente o desembarque de um dos grandes personagens que tivemos na Copa. Sujeito de palavras matemática e precisamente contabilizadas tido extremamente por antipático pela imprensa especializada.

Um motivo a mais para eu admirá-lo. A imprensa tem, dentre outras porquices, a mania de querer aparecer e ser mais do que o próprio evento.

Às vésperas das oitavas de final, ao ser perguntado como o Ramadã afetaria o desempenho de seus jogadores, seguidores da tradição islâmica, ele simplesmente responde:

“Isso tem que ser tratado de forma privada. Vamos falar de futebol. Aqui no Brasil, o país do futebol, vocês têm que falar de futebol. Vou continuar trabalhando com esse time. Volto a pedir desculpas por ganhar, ainda que muitos só critiquem o que eu faço. E peço que não falem mais de Ramadã, se não eu me levanto e vou embora”.

Mesmo que não tenha vencido a Alemanha como o Marechal Tito expulsou os nazistas dos Bálcãs, ele foi estrategista o suficiente para que todos dissessem, unanimemente, que sua derrota foi injusta. Infelizmente justiça e futebol não caminham lado a lado.

Braço erguido e punho cerrado: gesto de um vencedor.

Braço erguido e punho cerrado: gesto de um vencedor.

Após o jogo chorou, se lixou para a coletiva de imprensa e mesmo com pedidos do Presidente Abdelaziz Bouteflika, seguiu seu rumo.

A personalidade do ano é Vahid Halilhodzic, técnico da Argélia na Copa do Mundo, atualmente no Trabzonspor da Turquia.

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Do mural para o Blog Chianéllico

VAHID (30/06/2014, 22h04min)

Posso estar enganado, mas para mim o técnico da Argélia é um gênio da raça.

Atacante da seleção da antiga Iugoslávia na Copa de 1982, ouviu um pedido de perdão do técnico que preferiu escalar jogadores que queriam a valorização de seus passes.

Com a guerra separatista, sofreu um atentado em sua própria residência, foi ameaçado de morte e se mandou.

Em 2004, se tornou Cavaleiro da Legião de Honra do governo da França. Foi ídolo do Nantes quando jogou em gramados franceses.

Fora isso, Vahid é conhecido por não se relacionar bem com a imprensa. O mal humor estampa-se no seu rosto cada vez que um microfone chega perto de si.

As notícias dão conta de que Vahid não continua como técnico da Argélia. Até treinar mais algumas seleções e clubes, Vahid perambulará o mundo. Devido a tudo que já aconteceu consigo, muito provavelmente não mais voltará para a casa.

Hoje, naquela que muito provavelmente é sua despedida, Vahid chorou.

O técnico da Argélia, Vahid Halilhodzic, visivelmente emocionado após a derrota para a Alemanha.

O técnico da Argélia, Vahid Halilhodzic, visivelmente emocionado após a derrota para a Alemanha.

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