CENÁRIO ATUAL, OU, POR QUE SE SURPREENDEM?

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25 de dezembro de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Por Diogo Costa

A coligação que reelegeu Dilma Rousseff foi a seguinte:

PT / PMDB / PSD / PP / PR / PDT / PRB / PROS / PCdoB.

Algumas pessoas talvez tenham imaginado que o Partido dos Trabalhadores tenha concorrido em chapa única, o tal do “puro sangue”, como se diz.

Ou talvez tenham imaginado que o PT tenha concorrido apenas com o PMDB de vice e o PCdoB como fiel e imprescindível escudeiro.

Bom, se imaginaram isto, não faço a menor ideia de onde estiveram em todo este ano de 2014. A coligação de Dilma, de Aécio, de Marina ou de Luciana Genro, entre a de outras candidaturas, é deveras conhecida desde sempre.

O PT é a cabeça de um governo de coalizão somente agora, com Dilma, ou isto ocorre desde 2003, no início do governo Lula?

Fico a pensar também que algumas pessoas insistem em imaginar que o PT conseguiu eleger 297 dos 594 parlamentares do Congresso Nacional em 2014.

E que em função disto poderia governar lépido e fagueiro, além de sozinho, montando um ministério somente de petistas.

Mas o que se tem é um quadro diverso, e que todo mundo também sabe ou deveria saber: o PT terá a partir de 2015 apenas 83 dos 594 parlamentares no Congresso (14% do total).

Como é possível que o PT governe sozinho, com base num ministério só de petistas, dentro do quadro real e concreto que o povo brasileiro desenhou através do voto popular?

O PT não é e nunca foi o PSUV da Venezuela, que tem maioria absoluta no parlamento. Isto por acaso é alguma novidade?

O PT não é e nunca foi o MAS da Bolívia, que tem maioria absoluta no parlamento. Isto por acaso é alguma novidade?

O PT não é e nunca foi o PRI do México, que sozinho tem mais de 40% do parlamento daquele país. Isto por acaso é alguma novidade?

O PT não é e nunca foi o Rússia Unida, de Vladimir Putin, que sozinho tem também mais de 40% do parlamento russo. Isto por acaso é alguma novidade?

Será que também há novidade no fato de que o Congresso Nacional eleito em 2014 será o mais conservador das últimas décadas?

Será que também há novidade no fato de que a partir do ano que vem existirão 28 partidos representados no Congresso Nacional?

Há uma indesmentível fragmentação partidária em curso no Brasil desde 1980. Vejamos:

Em 1980, na volta do pluripartidarismo, havia somente 05 partidos (PDS, PMDB, PTB, PDT e PT).

No início do governo Collor, em 1990, o número aumentou para 12 partidos. No início do governo FHC a quantidade de agremiações aumentou para 17.

No início do governo Lula já tínhamos 24 agremiações (ao final, em 2010, o número foi para 27 partidos).

Atualmente já são 33 partidos e vários outros na fila do TSE para receber a autorização.

Esse fato não pode passar desapercebido!

A continuar nesta toada, de fragmentação cada vez maior do sistema partidário, nenhum partido terá condições de governar sem fazer alianças mil no parlamento.

É por tudo isso que foi dito, e tem muito mais, que não entendo porque algumas pessoas insistem em negar os fatos concretos da política brasileira.

Reclamam até mesmo da composição do ministério de Dilma, o que é um direito inalienável de qualquer um, mas sem se dar conta de que esse é o desenho institucional (governos de ampla coalizão) que existe desde o governo FHC.

Alguém tem alguma dúvida de que PT e PSDB, se pudessem, governariam sozinhos, com ministros oriundos apenas de suas agremiações?

Será que não o fizeram porque não quiseram ou porque o sistema político atual jamais permitiu que estes partidos tivessem mais de míseros 20% dos parlamentares no Congresso Nacional?

O que temos atualmente não é novidade alguma. Se novidade há, é que o PT saiu mais fragilizado ainda do processo eleitoral. O PT terá 70 deputados federais a partir do ano que vem.

Se o povo brasileiro tivesse conferido ao partido o dobro desta representação, 140 deputados, as condições para negociar um ministério seriam diversas.

Não foi o que ocorreu e é com base no que ocorreu de fato, não com base naquilo que gostaríamos que tivesse ocorrido, que temos que analisar o cenário atual.

Termino dizendo que para mim é até algo incompreensível quando pessoas reclamam do ministério de Dilma, e o chamam de “neoliberal” e de “conservador”, sem fazer uma única referência aos ministérios montados por Lula.

O governo Lula foi “neoliberal” e “conservador” porque nomeou o ex presidente mundial do BankBoston, e deputado federal eleito pelo PSDB de Goiás, Henrique Meireles, em 2002, para o Banco Central?

O governo Lula foi “neoliberal” e conservador” porque nomeou Roberto Rodrigues como o primeiro ministro da Agricultura de Lula, sendo que ele inclusive fez campanha aberta para Aécio Neves no último pleito?

Ora, tanto o PT quanto o governo federal estão em disputa desde sempre. Quem é que não sabe disso?

Lula e Dilma, se pudessem, nomeariam somente pessoas de esquerda para os ministérios. Resta saber se conseguiriam, dentro do quadro atual e que vem desde 2003, aprovar o simples nome de uma rua no Distrito Federal…

E isso de correlação de forças não vale só para o PT. Vale para todos os partidos.

A não ser que alguma boa alma tenha a vã ilusão de que um governo do PSOL, a partir de 2015, faria algo revolucionário tendo meia dúzia de parlamentares!

Se alguém de fato acredita nisso então é melhor que falemos doutros assuntos que não a política. Talvez de flores, de bombons ou do Coelhinho da Páscoa.

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