BOTAFOGO: PAIXÃO NÃO SUPRIME CONSCIÊNCIA

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16 de novembro de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Por mais apaixonado que um torcedor de futebol possa ser, a paixão não pode ser estomacal a ponto de cegar os erros cometidos. Ainda que uma fonte de receita como o Engenhão tenha sido interditada, a atual situação do Botafogo não se justifica.

Como “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo”, tudo começou com a classificação do time para a Libertadores desse ano. Após uma temporada de 2013 consistente, na qual foi campeão carioca e terminou o Campeonato Brasileiro entre os quatro primeiros colocados, foi justamente com a realização do sonho de disputar o torneio continental que as coisas começaram a ruir.

Mantido o ótimo goleiro e a zaga, as contratações não convenciam, enquanto que do meio pra frente o time sofria um desmanche. Acharam que o tal Tanque Ferreyra resolveria as coisas. O mesmo Tanque Ferreyra que pelo Olimpia do Paraguai caiu sozinho após driblar o goleiro Victor, do Atlético MG, na final da Libertadores que consagrou o Galo.

As dificuldades com a interdição do Engenhão e o pagamento da multa rescisória para que Vitinho se desligasse do time foram superadas por um grupo que tinha em Clarence Seedorf sua liderança. Seedorf, que não é bobo nem nada, aprendeu com a série dos Skylabs que é preciso saber dar o ponto final. Sabia que entregou um clube que tinha a fama do quase na maior competição continental que poderia disputar. Uma estrela internacional do futebol se deu a digna oportunidade de encerrar a carreira pelo clube da Estrela Solitária.

O segredo do futebol é repor peças fundamentais para se manter ou melhorar o nível. Seedorf foi substituído por Jorge Wagner, já veterano, que nem meia temporada ficou e não deixou saudades. E deve ser mais um prestes a se tornar credor do Botafogo na Justiça do Trabalho.

Contratações pífias, receitas penhoradas, empréstimos de jogadores da base que deram conta do recado para ajudar a colocar o time na Libertadores, dispensa sumária dos melhores jogadores da equipe e rescisões indiretas na Justiça do Trabalho.

Os matemáticos ensinaram que nessa fórmula de pontos corridos deve-se alcançar 45 pontos para se ter chances de não cair. Com 33 pontos e quatro jogos restantes, o Botafogo, atualmente na zona rebaixamento, precisa vencer todos eles para tentar escapar da segunda divisão.

Se cair, é merecido. Se cair, tudo terá sido resultado de uma das mais desastrosas temporadas campo e extra campo da história do clube. Hoje, perdeu o Clássico Vovô por 1 a 0, o que dificultou ainda mais a permanência, algo praticamente dado como impossível.

Depois dos 7×1, é a vez do clube que mais forneceu jogadores para a Seleção Brasileira viver seu calvário. Se cair, que o Botafogo tenha, ao contrário do rival do Clássico Vovô, a dignidade de voltar à Série A no campo, mesmo palco dos seus maiores dias de glória, sem depender de casos Sandro Hiroshi para permanecer onde nunca deveria sair.

E que após voltar, os que forem responsáveis por ele o tratem com o devido carinho e respeito que merece, de modo que o apoio daqueles que nunca o deixam não seja em vão.

Fogo, momentos ruins eu vivi
mas nunca parei de cantar
e esse Fogo no meu peito
que nunca vai se apagar.

Botafogo

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