HISTÓRIAS DE UM TORCEDOR

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14 de novembro de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Prezadas e prezados Amantes da F-1;

Prezadas e prezados leitores deste Blog Chianéllico.

Na semana que vem terminará a atual temporada da F-1. Durante os testes entre temporadas eu iria iniciar esta série “Histórias De Um Torcedor”, na qual contarei alguns episódios da minha vida nos quais torci para os pilotos de minha preferência.

A série integrará, simultaneamente, este Blog Chianéllico e o grupo do facebook Amantes da F-1, do qual sou um dos moderadores, assim como será escrita gramaticalmente em primeira pessoa.

Porém, como ontem fez 20 anos do primeiro título do Schumacher na F-1, contarei como foi torcer contra ele simplesmente por torcer contra. Inocência de uma criança sennista.

A expectativa para 1994 era a melhor possível com Senna na melhor equipe, até que o alemão começou a fazer frente. Era o efeito do banimento dos equipamentos eletrônicos, o grande diferencial para a Williams dominar o grid nas primeiras temporadas da Fórmula 1 na década de 1990.

Schumacher liderava o GP do Brasil até que Senna, em segundo, rodou. Pulou na frente do GP do Pacífico em Aida, no Japão, aproveitou-se de Senna ter se acidentado na largada e venceu. E estava no encalço do tri-campeão quando tudo se interrompeu na Tamburello.

O banimento dos equipamentos eletrônicos era algo difícil de ser fiscalizado. A informática não estava massificada como nos dias atuais, de modo que não se tinha aparelhos suficientes para se detectar quem trapaceava ou não. Senna dizia que Schumacher trapaceava, mas após seu acidente fatal na Tamburello o que sobrou do seu carro foi incinerado para que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) não descobrisse que Williams também descumpria o regulamento.

No final das contas, de 16 corridas daquela temporada, Schumacher teve a oportunidade de disputar os pontos de 12. Em Silverstone e Spa-Francorchamps ele e a equipe foram desclassificados. Em Monza e Estoril cumpriram suspensão. E ainda sim foi campeão, numa manobra totalmente controversa contra Damon Hill na última corrida, o GP da Austrália.

Num ano em que o ufanismo tupiniquim perdeu seu principal expoente, Schumacher atreveu-se ser campeão em seu lugar sob diversas acusações de trapaça, o que fez com que no Brasil ele tivesse a fama de Dick Vigarista mais do que em qualquer outro lugar do mundo.

Braço Duro, nos gibis, sempre tentou trapaças para vencer Senninha.

Braço Duro, nos gibis, sempre tentou trapaças para vencer Senninha.

Quando eu assistia as corridas, nada mais me importava. Do alto da inocência de uma criança de oito anos que chegou a ler os primeiros quadrinhos do Senninha, um desleal do tipo do Braço Duro (vide imagem ao lado) não poderia herdar o lugar daquele que estava predestinado à glória como um protestante calvinista à salvação divina.

Vagabundo, filho da puta, trapaceiro, viado, desgraçado e outras gentilezas saíam da minha boca a cada vez que as câmeras o focalizavam. Tudo porque, na inocência de criança, eu comprava gratuitamente um discurso nacionalmente generalizado de violência verbal gratuita contra um sujeito que apenas tinha a culpa de ganhar numa situação em que todos tentavam trapacear. Discurso esse feito em todos os lugares, menos na minha própria casa, onde meu querido pai me ensinou tudo, inclusive a perder sem despeitar.

Em tempos nos quais músicos fracassados e representantes da bancada da bala reúnem, numa democracia, seguidores na Avenida Paulista para pedirem pela volta da ditadura militar (haja falta de noção do ridículo), recordemos a célebre frase do escritor russo Anton Tchekhov: “Nada une tão fortemente como o ódio – nem o amor, nem a amizade, nem a admiração”.

Tchekhov, 20 anos depois, é a única explicação plausível para um ódio gratuito literalmente infantil a um dos maiores fenômenos esportivos da história.

#KeepFightingMichael

O maior piloto da história, em imagem corriqueira de sua gloriosa carreira, odiado por único motivo: vencer.

O maior piloto da história, em imagem corriqueira de sua gloriosa carreira, odiado por único motivo: vencer.

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Um pensamento sobre “HISTÓRIAS DE UM TORCEDOR

  1. marcelo barros disse:

    Parabéns pelo texto e colocações, amigo! abs.

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