UM PETISTA FOI ASSASSINADO. FICARÁ TUDO POR ISSO MESMO?

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21 de setembro de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Este Blog Chianéllico não acredita em institutos de pesquisa. Ainda que não alinhado ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), concorda com o Senhor Waldir Inácio, candidato pela sigla a Prefeito de Poços de Caldas (MG) nos pleitos de 2008 e 2012: “O dia da eleição é o dia da verdadeira pesquisa”. Frase autoexplicativa.

Brasil, outubro de 2010. Os institutos de pesquisa apontavam que Dilma Rousseff, candidata pelo PT (Partido dos Trabalhadores), venceria as eleições, o que foi confirmado. O candidato a Presidência do Brasil pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), José Serra, é atingido na cabeça por uma bolinha de papel durante uma atividade de campanha no Rio de Janeiro.

Frisson midiático.

Em poucas horas forma-se e difunde-se a opinião de que nenhum tipo de agressão é aceitável, inclusive lançamentos de bolinha de papel, e que isso era apenas o mínimo que demonstrava do que o PT é capaz de fazer pelo poder.

Tese tão frágil quanto a casca de um ovo prestes a se tornar omelete. O SBT de Silvio Santos demonstrou, jornalisticamente, que tudo não passou de simulação. A bolinha de papel foi lançada por militantes da própria campanha de José Serra, que anunciou ter feito tomografias e que lhe foi recomendado repouso.

Justiça seja feita, não ocultemos os fatos. O mesmo SBT também deixou bem claro que não teria autorizado o PT a utilizar a reportagem no seu horário eleitoral.

Curitiba, setembro de 2014. O militante político Hiago Augusto Jatobá de Camargo, responsável pela exposição de cavaletes de candidatos do PT na capital do Paraná é intimidado por um terceiro que (não sabemos se pertence ou não a algum partido) se opõe politicamente ao PT . É atacado, sofre golpes de faca e após ser socorrido por uma ambulância, falece a caminho do hospital.

Silêncio sepulcral da chamada grande mídia, a mesma que ideologicamente contrária aos governos Lula e Dilma não poupou esforços para fazer do velório de Eduardo Campos festa de lançamento de candidatura.

Desde a redemocratização do país a morte de Hiago é, disparadamente, a notícia mais triste que se tem em períodos eleitorais. Ocorreu um assassinato em razão de convicções políticas e filosóficas a partir de um indivíduo que procedeu como grupos de extermínio atuavam na época da ditadura, como por exemplo o CCC, o Comando de Caça aos Comunistas.

Utilizar armas contra a tirania, vá lá. O direito de insurreição e resistência é assegurado pela melhor doutrina jurídica de direito internacional.

Porém, vivemos numa sociedade democrática cuja Constituição consagra o pluralismo político. Da mesma forma que o PT governava municípios e Estados durante o tempo em que Fernando Henrique Cardoso era Presidente, o PSDB governou Estados e Prefeituras durante os períodos em que Lula e Dilma estiveram na Presidência. E muito provavelmente o PSDB, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e outros partidos que não o PT, o PSB (Partido Socialista Brasileiro) e o PSDB governarão Estados e municípios durante os próximos quatro anos.

Se temos de rever o funcionamento do pluripartidarismo, das chamadas legendas de aluguel, é outra história. O que não se pode aceitar é o assassinato daqueles que pensam contrário a nós. O atual estágio da evolução humana não mais assim permite.

Porém, verifica-se que a indignação é seletiva. Na campanha passada, o então candidato a Presidência da República pelo PSDB, José Serra, forjou ter sido agredido por uma bolinha de papel, que, descobriu-se depois, foi arremessada por militantes da própria campanha.

José Serra submeteu-se a uma tomografia.

Carnaval midiático.

Quatro anos depois, no Paraná, um militante do PT que organizava a exposição dos cavaletes dos candidatos do partido foi intimidado por um grupo opositor.

Foi agredido e morto.

Silêncio ensurdecedor da grande mídia. Uma notinha para não deixar passar em branco, no máximo.

As ditaduras militar e do Estado Novo já foram mais que o bastante. Que restabeleça-se a normalidade e puna-se os responsáveis conforme as regras do Estado Democrático de Direito. E que os pleitos eleitorais ocorram em paz!

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