QUE A DEMOCRACIA DERROTE MARINA SILVA

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14 de setembro de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Com todo o respeito, mas nunca um presidenciável desempenhou papel tão ridículo em eleições como Marina Silva.

Essa semana foi, de certa forma, emblemática quanto a recordações sobre o inestimável valor para a democracia no cone sul da América.

Na última terça-feira o programa de entrevistas da TV Brasil Espaço Público recebeu Pedro Dallari, coordenador da Comissão Nacional da Verdade, órgão de Estado instituído durante o governo Dilma para investigar crimes de lesa pátria e humanidade cometidos em períodos anteriores a promulgação da atual Constituição, inclusive da ditadura militar.

Por sua vez, o povo chileno recordou o seu triste 11 de setembro, assunto sobre o qual já discorremos aqui. Em 1973 um golpe militar levou a morte o Presidente Salvador Allende Gossens, cujo governo, a chamada Unidade Popular, foi uma tentativa de implantação do socialismo pela via eleitoral.

É editorial deste Blog Chianéllico a defesa da liberdade de todo e qualquer pensamento, desde que não se atente contra a integridade de qualquer ser humano.

É com extrema decepção e indignação que o Blog Chianéllico recepciona a notícia das declarações da candidata a Presidência da República Marina Silva, no sentido de que militares foram importantes na transição para a democracia, palavras energicamente condenadas desde já.

Na última edição do programa Espaço Público a qual nos referimos acima, o editor-chefe deste Blog Chianéllico teve a oportunidade de ter lida sua pergunta, via facebook: “Prezado âncora Paulo Moreira Leite; prezada Hildegard Angel, prezado Florestan Fernandes Júnior e ilustre entrevistado Pedro Dallari: o Brasil já foi condenado em instâncias internacionais pelos crimes cometidos pela ditadura. O que falta para que a Lei de Anistia seja revisada, de modo que a lei seja aplicada àqueles que cometeram crimes?”

Foi basicamente respondido pelo entrevistado, com muita propriedade, que a tarefa da Comissão Nacional da Verdade se resume a apuração. Porém, o relatório final da Comissão deverá proporcionar um importante debate sobre a revisão da Lei de Anistia.

Nunca é demais recordar que o Brasil já foi condenado em instâncias internacionais pelos crimes cometidos pela ditadura, enquanto que a Lei de Anistia foi uma inadiável condição para se iniciar a transição à democracia, ou seja, só voltaríamos a ter eleições regulares desde que num primeiro momento nenhum criminoso de lesa pátria e humanidade respondesse pelos seus atos.

Em tempos nos quais se discute a revisão da Lei de Anistia, de modo que não exista obstáculo legal para que os opressores de outrora respondam pelos seus crimes, é inaceitável que uma candidatura se reserve ao papel de credenciar a esses mesmos opressores a bondade e a tolerância para que a democracia se reafirmasse.

É o caso inclusive de se questionar, dentre outras coisas, a razão pela qual uma candidatura flerta com agentes de opressão que, instalados no poder, não permitiram que Marina Silva fosse candidata.

Assim como a democracia nos reserva direitos, ela também nos reserva deveres. É compromisso inadiável com a democracia, com o pluralismo político e com a paz a possibilidade de apresentação ao eleitorado de qualquer proposta que, na visão de cada candidatura, seja a solução para os problemas do país. O que não se pode é aceitar a invocação de ideias que remetem a um triste passado de perseguição, tortura, morte e desaparecimento forçado de oponentes políticos.

É incompatível com a democracia oferecer-se como alternativa ao eleitorado a partir de menções a períodos nos quais os mais sagrados direitos civis e políticos da população brasileira foram profundamente feridos e desrespeitados.

Por essas razões este Blog Chianéllico faz votos de que o pleito do próximo dia 5 de outubro seja a pá de cal da atuação na vida pública daqueles que exortam o autoritarismo, caso da candidata a Presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro Marina Silva, que ao reconhecer a ajuda de militares na transição para a democracia, despreza a importância da própria democracia.

Este Blog Chianéllico se reserva ao direito de não mais tecer qualquer comentário sobre a atuação política de Marina Silva, a menos que se tenha notícia de uma retratação irrevogável de suas infelizes colocações.

Finalmente, este Blog Chianéllico espera, ainda, que a democracia brasileira avance não apenas do sentido de punir os autoritários do passado, mas também de sancionar aqueles que conclamem o autoritarismo nas mais diversas e variadas formas no tempo presente.

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