SUAS CRIANÇAS DERRUBANDO REIS!

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22 de junho de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Por Lucas Marciano, professor de História
nas redes pública e particular de Poços de Caldas (MG),
crítico amador de cinema e palpiteiro de plantão.

A História da Monarquia Espanhola se mistura com a história do próprio país. Tradicionalmente, atribui-se o surgimento do Estado espanhol ao casamento da rainha Isabel I do Reino de Castela com o rei Fernando II do Reino de Aragão em 1469. Os monarcas conquistaram a Catalunha, o País Basco e Granada. Assim, formataram o atlas que hoje vislumbramos.

Durante o Século XVI os reis da Casa de Habsburgo prosperaram se valendo das Grandes Navegações e da exploração desenfreada e sanguinária da América Latina. O holocausto indígena, a escravidão e a ganância foram a força motriz para que a Espanha se tornasse a maior potência da época, rivalizando apenas com franceses e ingleses.

Com os Bourbons no poder, após o fim da Dinastia dos Habsburgos, a Espanha passou por momentos complicados, tendo de enfrentar Napoleão Bonaparte e sofrendo com os processos de libertação de suas colônias na América. Obviamente, quem mais sofreu foi o povo espanhol, uma vez que na Corte o luxo sempre se manteve intacto. O país conheceu breves períodos republicanos, mas sempre conviveu com a sombra da nobreza à espreita.

Após passar por uma Guerra Civil no Século passado e ser submetida à Ditadura fascista de Francisco Franco, a Espanha caiu novamente na Monarquia. É bem verdade que a Monarquia atual passa longe do período de apogeu dos Bourbons. A Espanha é uma monarquia parlamentar, com um monarca hereditário que exerce como Chefe de Estado – o Rei da Espanha, e um parlamento bi-cameral, as Cortes Generales.

O poder executivo é formado por um Conselho de Ministros presidido pelo Presidente do Governo, que exerce como Chefe de Governo, e o poder judicial está formado pelo conjunto de Juizados e Tribunais, integrado por Juízes e Magistrados, os quais tem a potestade de administrar justiça em nome do Rei.

O poder legislativo se estabelece nas Cortes Gerais, que é o órgão supremo de representação do povo espanhol. As Cortes Gerais são compostas de uma câmara baixa, o Congresso dos Deputados, e uma câmara alta, o Senado.

O Congresso dos Deputados é formado por 350 membros eleitos por votação popular, em listas fechadas e através de representação proporcional mediante circunscrições provinciais, para servir em legislaturas de quatro anos. O sistema não é absolutamente proporcional, já que existe um número mínimo de cadeiras por circunscrição (3) e se usa um sistema proporcional levemente corrigido para favorecer as listas majoritárias (o Sistema d’Hondt).

O Senado possui 259 membros, dos quais 208 são eleitos diretamente mediante voto popular, por circunscrições provinciais, em cada uma das quais se elegem 4 senadores, seguindo um sistema majoritário, Os outros 51 são designados pelos órgãos regionais para servir, também, por períodos de quatro anos. Na Espanha o sistema de votação é diferente de países como o Brasil: não se vota no candidato, mas sim no partido, que já tem listas provinciais predefinidas. À medida que cada partido recebe seus votos, os integrantes da lista vão sendo eleitos.

Como podemos ver, o papel do Monarca é praticamente nulo. Se resume a representar o país em eventos internacionais e posar para fotos. Então, porque tantas manifestações contrárias à Monarquia na Espanha? Por que o Rei Juan Carlos abdicou do trono e criou toda essa celeuma no Velho Continente?

É bem simples de responder. Os gastos do Estado com a Coroa são elevadíssimos e toda a Família Real mama dessa teta. Não é novidade pra quem acompanha a história europeia que a chamada nobreza é na verdade formada por um bando de chupins que não faz nada de útil para ninguém. Em tempos de crise, com 25% da população espanhola desempregada, era de se imaginar que a população se revoltasse com tal opulência e desperdício. A figura do Rei Juan Carlos não trabalhava nem um pouco a favor também, convenhamos! Famoso por suas extravagantes caçadas nas savanas africanas, Juan Carlos notabilizou-se pela sua total e completa falta de noção frente à crise internacional.

No último dia 18, ele abdicou de seu trono em favor de seu filho, Felipe de Bourbon, agora chamado de Rei Felipe VI. No entanto, espero que tal reinado seja breve. Manifestações tomam conta das ruas espanholas pedindo um referendo para derrubar a Monarquia. Pessoalmente, torço muito para que os espanhóis se libertem dessa tradição tola e arcaica, e quem sabe, depois de quase 400 anos, os Bourbon tenham que novamente descobrir o significado da palavra trabalho.

Após a renúncia de Juan Carlos I, espanhóis foram às ruas pedirem por um plebiscito pelo fim da Monarquia.

Após a renúncia de Juan Carlos I, espanhóis foram às ruas pedirem por um plebiscito pelo fim da Monarquia.

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