CHIANÉLLICO COPEIRO – A PRIMEIRA IMPROBABILIDADE

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15 de junho de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Quem morre de véspera é peru. Na hora que a bola rola, são 11 contra 11. De um lado, os campeões da primeira Copa realizada em terras tupiniquins. De outro, um remanescente da hegemonia entre Estados Unidos e México na América Central, no que pesem as dificuldades dos mexicanos para se classificarem desta vez.

No quesito vingança, algo muito parecido com Espanha x Holanda. A vaga do Uruguai para a Copa de 2010 foi conquistada na repescagem das eliminatórias da Conmebol e da Concacaf. Coube ao ídolo botafoguense Loco Abreu, após substituir Luis Suárez, utilizar-se de sua maior especialidade, a bola aérea, e encobrir o goleiro para impedir que os costarriquenhos estivessem na África do Sul (vide vídeo abaixo). A Costa Rica empataria o jogo, mas já era tarde.

Porém, nada como um dia após o outro. A vingança liderada pelo habilidoso meia canhoto Campbell veio num sonoro 3×1 já em plena Copa do Mundo. Irrefutável o merecimento dos americanos centrais. Se a questão é histórica, política e geográfica, apenas mudou-se o endereço do país americano que um dia foi colônia da coroa espanhola.

A base uruguaia é praticamente a mesma da Copa passada. Se verificarmos, dificilmente há alterações em relação à escalação da Copa passada, o que em parte se justifica pela própria dificuldade de renovação. Como renovar e manter o nível da seleção de um país de três milhões e meio de habitantes apenas?

Luis Suárez, o grande astro do time, recupera-se de uma lesão no joelho contraída às vésperas do mundial. Não entrou ontem e agora terá de suar sangue contra Inglaterra e Itália para ajudar o Uruguai a reverter a derrota.

E se verificarmos também, dificilmente repetiu-se na Copa seguinte o sucesso da manutenção da base anterior. O dinamismo dos dias atuais aplicado à preparação física exige renovação. Salvo engano, somente em 1958 e 1962 as escalações do Brasil são praticamente a mesma. O Uruguai tem um time envelhecido. Forlán, o melhor jogador da Copa passada, sequer deu conta de jogar no Brasil em tempos de nível baixo das edições dos nossos campeonatos nacionais dos últimos anos. Já se encontra em final de carreira no não tão competitivo futebol japonês.

Bom proveito para a Costa Rica, que não tem nada com isso. Jogou um futebol convincente e de tanto insistir mereceu o resultado. Mas não se pode deixar de destacar o goleiro Navas, que num soco para mandar a bola por cima do travessão no final do primeiro tempo e uma belíssima ponte numa cabeceada de Cavani, no segundo tempo, foi bem quando exigido. Só não pegou o pênalti do gol do Uruguai, muito bem cobrado.

Com três campeões mundiais, o grupo D ficou como o grupo da morte desta Copa. O Uruguai já é candidatíssimo à eliminação precoce. Na teoria, teria que aproveitar-se da fragilidade costarriquenha para medir forças de igual para igual com Itália e Inglaterra. Com a derrota, em muito a raça uruguaia terá de se superar para reverter o desconforto, com o reforço do guerreiro e artilheiro Luis Suárez. Do contrário, uma classificação da Costa Rica fará do grupo D não o da morte, mas do estrago monumental.

Joel Campbell, habilidoso meia canhoto, de refinado passe e chute, liderou a Costa Rica na sua vingança e façanha.

Joel Campbell, autor do primeiro gol da Costa Rica. Jogador de ótimo passe e chute.

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