CHIANÉLLICO COPEIRO – AH, AS ESTREIAS!

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13 de junho de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Um bom jogo. O gol contra marcado por Marcelo deu mais emoção à partida. Obrigou o Brasil a buscar o resultado e justificar porque é pentacampeão do mundo. A última vitória brasileira por dois gols de diferença ou mais numa estreia de Copa do Mundo havia sido em 1994. 2×0 contra a Rússia, gols de Romário e Raí.  Desde 1998 as estreias do Brasil em Copas do Mundo tem sido difíceis, ainda que a imprensa especializada enfeite o mito do nervosismo da estreia.

Em 1998, um chorado gol de Cafu para desempatar um difícil jogo contra a Escócia. Em 2002, também 2×1, só que de virada sobre a Turquia, que reclamou da arbitragem após o jogo. O confronto se repetiria nas semifinais e um chute de bico de Ronaldo garantiria a classificação para a final. Em 2006, a mesma Croácia de hoje cairia de pé frente a uma contagem mínima assinalada por Kaká. E quem diria que em 2010 seria difícil bater a frágil República Democrática Popular da Coreia, também por 2×1.

O jogo é coletivo, mas méritos e erros são individualizados. E o jogo também é ingrato. O Marcelo, que veio para a Copa depois de ter sido considerado um dos jogadores que mudou o panorama da final da Liga dos Campeões da Europa, conviverá eternamente com a responsabilidade de ter aberto uma Copa do Mundo com um gol contra. Talvez pudesse ajeitar melhor o corpo para acompanhar o atacante adversário e livrar o perigo da área com o pé direito, que não é o bom. Mas o jogo é coletivo, o selecionado brasileiro venceu e Marcelo também entra para história como o titular de mais uma estreia vitoriosa da seleção brasileira.

Inevitavelmente, Copas do Mundo proporcionam momentos épicos e geralmente três jogos entram para a história: a partida inaugural, uma batalha qualquer entre as oitavas de final e as semifinais, e a finalíssima. Com elas, as curiosidades, façanhas, marcas e episódios inusitados, como a cabeçada de Zidane em Materazzi na final da Copa de 2006 entre França e Itália.

O jogo de hoje entrou para a história da seguinte maneira: desde a estreia contra a Tchecoslováquia, em 1970, que um camisa 10 não marcava dois gols pela seleção brasileira na estreia de uma Copa. Lá, Pelé. Hoje, Neymar. Ambos que para sempre estarão ligados ao Santos Futebol Clube. O Brasil, na qualidade de maior vencedor das Copas do Mundo, virou o placar após fazer um gol contra. Contou, ainda, com uma ajudinha do árbitro, que marcou pênalti inexistente em Fred. 64 anos depois, assim que a bola rolou o Brasil passou a fazer parte do seleto grupo de países que sediaram o mundial de seleções duas vezes, ao lado de França, Itália, Alemanha e México.

Inegável a magia reservada pelos deuses do futebol em partidas inaugurais de Copas do Mundo.

E como bem lembrou o leitor Luiz Felipe Lucas Melo, acabou que ninguém falou do Fuleco, o mascote da Copa, enquanto que o cientista brasileiro e palmeirense Miguel Nicolelis criticou, com toda razão, a ausência de importância dispensada pela FIFA ao um projeto por ele liderado: o simbólico pontapé inicial dado pelo paraplégico Juliano Pinto, através de um exoesqueleto desenvolvido cientificamente no Brasil. Ficou por isso mesmo um pontapé que talvez foi o mais importante da história da humanidade.

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