ACREDITEM, GIGANTES NÃO SÃO NADA LEGAIS

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1 de junho de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Olá, tudo bem? Você já deve me conhecer. Eu sou o João. Do Pé de Feijão. Pelo menos alguma vez quando criança você deve ter escutado minha estória. Era filho de uma camponesa e éramos donos de uma vaca. Os tempos eram difíceis, não tínhamos um grão de arroz sequer para comer e minha mãe solicitou-me que fosse até a cidade, com a nossa vaca, para vendê-la. O dinheiro serviria para comprar comida.

Troquei a vaca por feijões mágicos que, pasmem! Brotaram! Subi às nuvens e fui parar no castelo de um gigante. E é sobre este ser que queria conversar com vocês.

Estamos no primeiro dia do mês de junho de 2014. Daqui a alguns dias vocês recordarão que há exato um ano vocês tomaram as ruas de seu país e diziam que um gigante tinha acordado. Não sabem de nada, inocentes! Ou não se recordam da história que suas mães lhes contavam para vocês dormirem. Ou dormiram no trecho que mais nos importa recordar nestes próximos dias.

Gargântua, ilustrado pelo Gustavo Doré. Gigante...

Gargântua, ilustrado pelo Gustavo Doré. Gigante…

Irei direito ao ponto: vocês já pararam para pensar em qual motivo um gigante teria para querer comer vivo um simples camponês famélico órfão de pai? Que raios são essa história de que um tal gigante acordou no país de vocês?

No meu mundo, feijões mágicos brotam. No de vocês, não.

No meu mundo, minha estória se passa num vilarejo camponês onde sequer meus vizinhos são citados. No de vocês, camponeses que dividem o mesmo barraco ainda são tratados como escravos porque tem de pagar em trabalho o que estão devendo para a vendinha de algo inexistente do meu mundo: latifúndio.

No meu mundo, é só pedir para a fada madrinha ou o gênio da lâmpada aparecer que num simples pedido tudo se resolve. No de vocês, se o tal Ministério do Trabalho não aparecer, autuar o latifundiário e estourar o cativeiro, os traficados estão fadados a serem coisas pro resto de suas vidas.

Quando vocês diziam que o tal gigante tinha acordado no país de vocês, também diziam que queriam lutar contra a corrupção. Pois saibam que na minha estória o corrupto é justamente o gigante que vivia nas nuvens do bom e do melhor enquanto eu e minha mãe éramos famélicos que tiveram de vender a própria vaquinha para comprar comida.

Machadadas providenciais me salvaram do gigante que vocês invocam.

Machadadas providenciais me salvaram do gigante que vocês invocam. Eu, camponês famélico.

Enfim, não irei me alongar muito. Apenas queria dizer para vocês que enfrentei um gigante porque busquei nas alturas o que minha terra não me dava. Tive de correr, e muito, para fugir. Utilizei-me de um machado para ceifar o fruto de um broto mágico. Do contrário, seria comido vivo.

E vocês, sabedores de tudo isso, há um ano diziam que o gigante acordou? Francamente!

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