ESTRATEGISTAS DE GUERRA DE MAMONAS

Deixe um comentário

16 de abril de 2014 por Lucas Rafael Chianello

A cifra postada pelo leitor Diney Lenon em seu mural do facebook, segundo ele extraída do Blog da Cidadania, é clara: na última semana o Jornal Nacional dedicou 103 minutos de críticas ao PT/Governo Federal e menos de três minutos para apontar falhas em governos estaduais do PSDB e da oposição.

Qual foi a tônica da Ação Penal 470? Um espetáculo promovido pela grande mídia. Condenações induzidas pelo clamor da opinião publicada nos grandes grupos privados de comunicação do país, transmitidas ao vivo em rede nacional. Tudo em decorrência do dito poder de fiscalização da imprensa, o chamado quarto poder.

Diante deste cenário, qual espaço além da internet para a defesa contra o linchamento promovido sobre os réus, julgados em primeira instância num tribunal destinado a decidir recursos? Nenhum.

O apelo do ator José de Abreu nas redes sociais, no último final de semana, foi visto por muitos como um tiro no pé, como fogo amigo. Temem que a defesa dos réus, neste momento, pode prejudicar a defesa da candidatura de Dilma durante as eleições.

Ora, quer ocasião melhor do que esta para se demonstrar o caráter de exceção do processo? O primeiro ataque da oposição já se sabe qual será: “Dilma é a candidata dos condenados no processo do mensalão, que finalmente varreu os corruptos deste país para a cadeia”.

Há argumentos jurídicos e políticos de sobra para a defesa dos réus da AP 470, como por exemplo a ausência do contraditório e da ampla defesa. Agora, com maior veemência, poderá ser denunciada a utilização do expediente fascista da criminalização da política. Poderá ser apontado, ainda, que o tratamento direcionado aos réus da AP 470 foi diverso ao dado a Eduardo Azeredo que, ao renunciar, teve o processo do mensalão tucano remetido para a primeira instância.

Por fim, a denúncia do Estado Brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos (tema que será abordado ainda nesta Semana Santa aqui no Blog Chianéllico), fundamentada juridicamente na ausência de aplicação do duplo grau de jurisdição, é prato cheio para se responsabilizar a postura oportunista de uma oposição que se regozija de um julgamento sem considerar seus elementos jurídicos. Ou a ausência destes.

Além da rede mundial de computadores e da inserção diária na TV da propaganda eleitoral, com sua costumeira ressonância na sociedade em razão das peculiaridades do período, qual outra chance de se fazer junto a população brasileiro o tão franco debate sobre condenações draconianas que tiveram o único fito de desmoralizar a candidatura do PT nas eleições presidenciais?

Sequer sabem o que é estratégia em guerrinhas de mamonas. Vão saber de estratégia eleitoral?

Sequer sabemos o que é estratégia em guerrinhas de mamonas. Vamos saber de estratégia eleitoral?

O conceito de estratégia é volátil, mais complexo do que pensamos. Você, leitor, como conceituaria estratégia sem sacar um dicionário ou um manual militar da estante?

Públicas, notórias, incontroversas e consumadas são as palavras da Ministra Rosa Weber quando da fase do julgamento correspondente a análise de culpa de José Dirceu: “Não tenho provas, mas vou condenar porque a literatura jurídica me permite”. Só faltou citar o jurista.

Não há nada de estratégico em esquecer nas masmorras da exceção cidadãos inocentes que sentem os efeitos jurídicos de condenações draconianas. Inclusive em período eleitoral.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: