PARTIDO DOS TRABALHADORES. E DO POVO

Deixe um comentário

4 de abril de 2014 por Lucas Rafael Chianello

Certa vez, quando em Poços de Caldas promovíamos as prazerosas Oficinas da Cidadania, em espaço concedido pela Cia Bella de Artes, no pilotis do Edifício Manhattan, um dos encontros foi sobre o ano de 1968, com a Professora Patrícia Furlanetto, próxima de vários organizadores da oficina.

Logo depois, fomos para uma confraternização à là esquerda festiva no Lupercius, um barzinho que fica na praça da Basílica de Nossa Senhora da Saúde, conhecida pelos poçoscaldenses como Igreja Matriz. Papo vai, papo vem e eu solto uma frase que soa como uma pérola para pessoas que, em sua maioria, dizem estar à minha esquerda. Disse que se for pra acontecer revolução neste país, seu condutor, dirigente, realizador ou sei lá qual adjetivo seria o PT.

O espanto e a ironia tomou conta e, claro, tive de aguentar zombarias. Já fui mais paciente a elas, mas ainda as aguento bem. Mas vamos à análise política. Por que o PT, um partido que administra avanços e retrocessos da política brasileira a partir do momento em que elege Lula presidente, é o partido do povo? Não é tão difícil assim de explicar.

O problema da chamada extrema esquerda é ser representante de si mesma. Mao Tsé-Tung, em seu Livro Vermelho, escreveu que a relação entre comunistas e povo é como semente e terra. É algo que precisa ser cultivado e florescer. Ou seja, somente há revolução quando a ideia desta tem representatividade na sociedade. Qual a representatividade na sociedade de PSOL, PSTU, PCO, PCB e afins? Nenhuma. Sequer podemos avaliar sua capacidade de organizar a luta revolucionária simplesmente porque se comportam como donos da causa. A partir do momento em que se apresentam e ninguém se identifica com eles, a justificativa é de que a população ainda não está preparada para defender uma nova sociedade, igualitária.

Dias atrás foi divulgada uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) na qual se perguntava qual era o partido político na preferência dos entrevistados. 55% não tinham preferência partidária. Dos que tinham, o PT aparecia em primeiro lugar com 22%. Contados somente os que tinham preferência partidária, o PT obteve o primeiro lugar com 53,7% da preferência.

Por que, então, procede a afirmação que intitula este texto? Por um simples motivo. Ainda que não estejamos sob a execução de um projeto estritamente socialista no Brasil, diversos avanços foram obtidos de um ponto de vista de esquerda desde a eleição de Lula: Bolsa-Família, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Luz Para Todos, Enem e ProUni (que nas palavras de Marilena Chaui representam o fim da indústria do vestibular), Integração Latino-Americana, Pronaf, royalties do pré-sal destinados para a saúde e a educação, a Comissão Nacional da Verdade, a negociação pacífica dos conflitos mundiais e, a cereja do bolo, o financiamento da reforma e ampliação do Porto de Mariel, que pode se constituir na grande saída para o covarde bloqueio econômico sofrido por Cuba desde o rompimento das relações com os Estados Unidos.

Quer queira, quer não, todos os avanços anteriormente descritos dizem respeito à camada mais pobre da população, à classe trabalhadora, que ao contrário da chamada classe média, é ela sim quem movimenta a sociedade, pois é a classe produtora, a classe que vende a força de trabalho por não ser proprietária dos meios de produção. A classe média, fincada no discurso da meritocracia, despreza a importância de programas assistenciais e do próprio Estado. E na tentativa de deslegitimar o PT para se colocar como autêntica representante das lutas populares, a extrema esquerda se une incondicionalmente a setores reacionários da sociedade com o único propósito de destruir o PT. Vide o histórico quadro Plínio de Arruda Sampaio, atualmente no PSOL, que no segundo turno das últimas eleições para Prefeito de São Paulo fez campanha para Serra derrotar Haddad. Essa é a legítima esquerda?

Pouco importam, inclusive, o que dizem os institutos de pesquisa, instituições que criticamos quando verificamos episódios históricos nos quais manipularam dados para confundir o eleitor. Por trás dos números há relações humanas que não se pode medir, relações humanas baseadas em desejos e concepções a partir das condições em que se vive na luta pela sobrevivência da espécie humana. E é nas pessoas que possuem as condições humanas de sobrevivência mais precárias, que precisam das políticas públicas chegando até si (nada é tudo lindo e maravilhoso, precisamos tornar os serviços públicos de qualidade), que o PT se faz presente.

Claro que nada é perfeito e sempre há de se fazer a autocrítica. No entanto, o PT é o partido do povo e o mais capacitado para promover a transformação da sociedade brasileira porque é ele, e não os partidos da chamada extrema esquerda, que possui representatividade nas parcelas da população em que se encontra o sujeito revolucionário.

Longe do povo? Fernando Haddad (PT), Prefeito de São Paulo, discursa em assembléia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

Longe do povo? Fernando Haddad (PT), Prefeito de São Paulo, discursa em assembléia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: