POR QUE PARAR DE TORCER?

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16 de dezembro de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Primeiramente, acima de tudo, já vou logo relevar minha amargura com essa questão do Fluminense novamente ficar na primeira divisão através do tapetão. Fiquei triste, estarrecido e decepcionado quando li de um próprio familiar que eu estava sendo manipulado pela mídia.

De nada valeu ter sido uma doutrina de direito desportivo a primeira que ganhei de presente assim que entrei na faculdade. De nada valeu seis anos de faculdade. De nada valeu ter começado uma pós-graduação em direito desportivo. Eu fui manipulado pela mídia e ponto. Mas o fanatismo tricolor a qualquer custo contra o rebaixamento não teve peso na balança para se medir a argumentação suspeita. Como bem coloca o leitor Diney Lenon, “todos dizem que a mídia manipula, mas ninguém se diz manipulado”.

Como invoquei minha formação jurídica, para não passar em branco e ficar uma coisa do tipo “você falou do direito, mas não colocou seu ponto de vista”, deixo aqui o entendimento que me contempla, ao qual me filio. Entendimento este que não vi em nenhum programa de TV (já que dizem que sou manipulado pela mídia). Trata-se de parecer do IBDD – Instituto Brasileiro de Direito Desportivo.

Quando torcemos para um clube, imaginamos que alguém vencerá uma disputa depois de suar e treinar. Quando dois times estão jogando, pensamos que vencerá aquele que fizer a jogada mais correta. Que vencerá o que tiver a melhor tática elaborada pelo seu treinador. Profundo engano. O São Paulo tem o Aloisio Boi Bandido? A Portuguesa tem Gilberto? O Corinthians tem o Pato? O Botafogo tem Seedorf? O Barcelona tem Messi? Esqueçam. O Fluminense tem o advogado Mario Bittencourt. E tem um bando de torcedores babacas do lado de fora do STJD que gritam “ão ão ão, segunda divisão” para torcedores da Portuguesa. Nas palavras de Fernando Alonso, profeta da era moderna, “this is ridiculous”.

Novamente a virada de mesa.

Novamente a virada de mesa.

Enfim, não há disputa. Não prevalece o mérito do vencedor sobre a inferioridade do vencido. Há o ajuste do resultado conforme a conveniência. Isso é tudo, menos disputa. O São Paulo, o Botafogo e a Caldense, clubes para os quais torço, podem não ter nada a ver com isso do ponto de vista de quem trapaceia, mas tem a ver porque estão no âmbito de onde não há disputa onde deveria haver. Como posso continuar torcendo se o resultado de hoje, obtido no campo, poderá ser alterado amanhã?

Por quem é feito o futebol? Por quem levanta cedo, treina, sua a camisa, mantém a forma física, desenvolve a técnica e, no que pese receberem salários astronômicos, são submetidos a um tratamento militar jamais visto em qualquer exército? Ou por engravatados que, frustrados com o rumo que suas vidas tomaram em algum momento, se enxergam no direito de dizer quem venceu e quem perdeu num tribunal privado?

Prometi que se a Portuguesa caísse, não torceria mais. Não sei até onde o resultado o é de fato. Hora de cumprir a promessa. Não se dirijam mais a mim para falarem de futebol.

Adendo

Não poderia terminar este texto sem deixar de mencionar que fosse qual fosse a defesa do Dr. João Zanforlin, advogado da Portuguesa, era visível que o voto dos auditores do Superior Tribunal de Justiça Desportiva já estava pronto antes do julgamento.

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