SALVE O FUTEBOL CARIOCA

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9 de dezembro de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Botafogo 3 x o Criciúma. Teremos de secar a simpática Ponte Preta. Fosse a situação inversa, os pontepretanos nos secariam também. Normal. Espero que após a final da Copa Sulamericana eu possa escrever sobre a classificação definitiva do Fogão para a Libertadores.

Enfim, hoje não vou escrever sobre o Botafogo, mas sobre a relação dos rebaixamentos de Vasco e Fluminense (finalistas de 1984) com a minha visão sobre o futebol carioca. Vamos por partes.

É justo o rebaixamento do Fluminense por uma questão histórica e moral. No pior período de sua história o clube foi ao fundo do poço. Lembro de quando estava na sexta série, em 1998, e num típico dia chuvoso poçoscaldense a principal manchete de um jornal local que meu pai assinava era a queda do tricolor para a terceira divisão.

Um ano depois, meu pai vai ao Rio para uma viagem a trabalho e me trás um jornal de que agora não me lembro exatamente qual era. Mas tinha nele a notícia de que o Fluminense já esta na segunda divisão, vindo da terceira. Meses mais tarde porém, o Gama de Brasília consegue evitar o rebaixamento sofrido em 1999 por causa do Inter e do Botafogo terem ganhado os pontos das partidas que disputaram contra o São Paulo. O atacante Sandro Hiroshi, contratado pelo tricolor paulista, teve sua identidade adulterada. Sua escalação foi considerada irregular nestes jogos e Botafogo e Inter ficaram com os pontos.

A Confederação Brasileira de Futebol foi impedida judicialmente de organizar o campeonato brasileiro que seria então em 2000 a chamada Taça João Havelange, organizada pelo Clube dos 13 e dividida em quatro módulos na primeira fase. Para a fase de mata mata, se classificariam 12 times do módulo azul, 3 do módulo Amarelo e o campeão dos módulos verde e branco. Diga-se de curiosidade, o Malutrom do Paraná.

Foi nesse campeonato que vimos o São Caetano surgir no cenário do futebol brasileiro, ao eliminar o Fluminense na fase de mata mata em pleno Maracanã, com um golaço de falta do Adhemar do meio da rua. O mesmo Fluminense que não jogaria a segunda divisão para voltar à primeira.

13 anos depois, o Fluminense volta para o que, para muitos, é seu lugar de direito. “Pagará” a Série B.

O mesmo não se pode dizer do Vasco. Depois de ter caído para a segunda divisão em 2008, para muitos com o fardo de uma “herança maldita” deixada por Eurico Miranda, voltou, ganhou a Copa do Brasil em 2011 e quase acabou com o sonho do Corinthians de vencer a Libertadores em 2012. Quem não se lembra do salvador Cássio frente a frente com Diego Souza? De lá para cá, uma nova queda de performance que culmina no segundo rebaixamento do clube. Salvo engano, o mais curto intervalo entre dois rebaixamentos de um chamado “grande” desde o início da era dos pontos corridos.

Como torcedor do Botafogo, claro que vou rir e tirar sarro. O mesmo ocorreu quando o Botafogo, mais falido que o Brasil em tempos de FHC, caiu em 2002. Mas do ponto de vista de quem apenas vê o futebol sem preferências, não é nada bom para o futebol brasileiro a queda de Vasco e Fluminense de uma só vez.

Sou nascido e criado na divisa de Minas Gerais com São Paulo por uma família da divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro. Aprendi a apreciar o futebol carioca de uma forma diferente da vista pelos sul mineiros que torcem para times paulistas. Geralmente, o argumento é de que os times do RJ são os mais sujos e imorais do país. Pura cascata. A sujeira da cartolagem não é exclusividade das praias cariocas.

Enfim, aprendi a aprender o que é o futebol carioca além, inclusive, da visão do flamenguista sul mineiro que tem mais rixas com o times paulistas do que com times do RJ.

O futebol brasileiro é um todo. Tem sua pitada mineira, gaúcha, paulista, nordestina, etc. Mas que me perdoem os demais. Se eu tivesse de escolher um Estado que representa o futebol brasileiro, escolheria o Rio. No que pese Pelé ter brilhado nas praias paulistas, foram as praias do Rio que nos deram os grandes jogadores deste país. Belini, Didi, Vavá, Gerson, Amarildo, Jairzinho, Zico e o maior de todos os tempos, Garrincha, dentre outros, brilharam predominantemente nos gramados cariocas. Mais especificamente no Maracanã. Sem contar que Rivellino tem muito mais identificação com o Fluminense do que com o Corinthians.

Identidade é algo cada vez menos existente no futebol. Talvez seja essa, inclusive, uma das causas do rebaixamento de dois clubes do maior centro futebolístico do país. Mas Vasco e Fluminense ainda estão sediados no Rio de Janeiro. Para quem tem consciência do que o futebol carioca significa, o rebaixamento de ambos, no melhor estilo de uma cajadada que mata dois coelhos de uma vez, é a maior tragédia possível.

Arthurzinho chuta e Paulo Victor defende. Flu e Vasco, rebaixados, fizeram a final de 1984. O tricolor levou a melhor.

Arthurzinho chuta e Paulo Victor defende. Flu e Vasco, rebaixados, fizeram a final de 1984. O tricolor levou a melhor.

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