VAMOS COM CALMA, BRASIL

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20 de novembro de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Por Lucas Marciano, professor de História
nas redes pública e particular de Poços de Caldas (MG),
crítico amador de cinema e palpiteiro de plantão.

Eu tinha prometido pra mim mesmo que não iria falar nada sobre a condenação do José Dirceu e do José Genoíno para evitar a fadiga de ter que debater com direitistas (que se apressam em condenar os “mensaleiros petistas” e se fingem de mortos quando o assunto é o mensalão tucano), com petistas fanáticos que se recusam a enxergar qualquer mácula ou erro do partido, e PRINCIPALMENTE com analfabetos políticos que em sua total e completa IGNORÂNCIA acreditam em qualquer merda veiculada na mídia e se iludem com discursos moralistas, tolos e rasos. Mas infelizmente, e quem me conhece pode atestar essa minha característica, eu simplesmente não consigo me conter, de modo que tentarei ser breve, ou melhor, tentarei não me irritar muito.

Eu não sou formado em Direito, não li os autos do processo em questão, e se os tivesse lido, provavelmente não extrairia deles mais do que observações dignas do leigo que sou na área. Não sei exatamente o que são “Embargos Infringentes”, e entendo apenas o básico do que se refere a “Foro Privilegiado”. E é exatamente por isso que me surpreendo com a reação da MAIORIA das pessoas que vejo se posicionando, seja a favor da condenação, seja contra a mesma. Estou totalmente convencido que a MAIORIA ABSOLUTA das pessoas que se apressam a se posicionar SÃO TÃO LEIGAS QUANTO EU, SENÃO MAIS! O que isso me sugere? Sugere-me que na ânsia de condenar ou absolver os envolvidos no caso, o único fator que está sendo apreciado, é a própria predileção político-ideológica de quem se propõe a opinar.

Não me sinto seguro em relação à culpa ou a inocência dos réus em questão, simples assim. As informações são contraditórias, e no fim das contas, TUDO o que tem sido veiculado está totalmente contaminado pela dicotomia PT x PSDB/Grande Mídia. Bem, não ficarei tão em cima do muro assim como aparenta. Na dúvida, o meu lado é sempre o mesmo, A ESQUERDA. Sim, a esquerda que sempre tentou fazer as reformas sociais que nosso povo precisa, a esquerda que sempre foi massacrada, perseguida e escurraçada pelo 0,6% que representa a Elite, os coronéis, as grandes corporações e que tem como sua fiel escudeira a Grande Mídia. Essa esquerda que nos últimos 10 anos transformou o Brasil, naquele que é seguramente o MELHOR GOVERNO que esse país já teve, mesmo com todas as mazelas que ainda enfrentamos.

Não me iludo com essa aura de herói que nos tem sido empurrada goela abaixo em torno da controversa figura de Joaquim Barbosa. Estou simplesmente desconfiado demais. Como fazer para apagar minha desconfiança? Não é tão difícil assim. Basta que nosso famoso paladino da Justiça conduza o julgamento do “Mensalão Tucano” com o mesmo afinco e obstinação que o fez agora com os líderes petistas. O processo está prestes a “prescrever” e a minha inteligência não é tão pequena assim para não perceber que será IMORAL se o caso não for julgado. Mais do que imoral, será uma prova cabal e definitiva de que nosso sistema legal é PARCIAL e que o julgamento de Dirceu e Genoíno foi político, independentemente de provas e questões legais, uma vez que, pelo pouco que entendi controvérsias e margens de dúvida existiam em profusão em favor dos réus. Se iremos fazer julgamentos de exceção, se a sociedade exige uma caça às bruxas moderna, que isso ocorra sem distinção partidária ou ideológica. É o mínimo que se espera para que alguém consiga levar a sério essa decisão do STF.

Além disso, tem mais uma coisa e agora me dirigirei diretamente ao “herói” do momento: Ministro Joaquim Barbosa, se Vossa Excelência tiver o mínimo de pudor, faça a si próprio o favor de NÃO se filiar a NENHUMA agremiação política, e consequentemente, a NÃO se candidatar nas próximas eleições. Isso é o mínimo que se espera de uma pessoa que muitos julgam tão idônea. Se Vossa Excelência fizer o uso político desse julgamento (que muitos acreditam que fará), sua credibilidade e a desse julgamento, chegarão aos níveis irrisórios, que muitos já o atribuem. Prometo que se o senhor tiver o caráter de julgar os escândalos da oposição e não se candidatar a nenhum cargo político no próximo pleito, eu posso até cogitar acreditar que esse julgamento tenha algum crédito, até lá, o que me sobra é a resignação.

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2 pensamentos sobre “VAMOS COM CALMA, BRASIL

  1. Ludmila disse:

    Concordo principalmente cm seu pedido ao excelentíssimo Ministro Joaquim Barbosa…

  2. Jorvandes Marçal disse:

    Parabéns Lucas, pela frieza do texto, compactuo contigo desse mesmo pensamento…

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