TÃO IGUAL QUANTO OS DEMAIS

Deixe um comentário

5 de outubro de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Ela se tornou igual aos outros a partir do momento em que resolveu ser ativista por contra própria, sem ter de prestar contas a ninguém. Autônoma, auto-suficiente, optou por se colocar como portadora de determina imagem. Sem nada a perder, quem quiser seguir, que siga. Quem não quiser, problema.

A isso beneficia o atual sistema partidário brasileiro: carreiras solo, quando na verdade não existe política sem a coletividade. E tem mais, coletividade essa que precisa ser apurada quanto à sua legislação. Você, leitor, pensa mesmo que 492 mil assinaturas com firma reconhecida, espalhadas por nove diretórios estaduais, representam anseios de uma população de 200 milhões de habitantes?

A conta não fecha.

Nunca houve uma proposta alternativa para a economia, para a política, para as instituições públicas, para a comunicação, para a educação, enfim, para qualquer assunto. Era e é representante de si mesma.

Deixou isso bem claro quando se dizia “nem de esquerda, nem de direita” e quando lançou a ideia do “partido apartidário”. Como bem colocado pela Carta Maior, uma das razões pelas quais a Rede não foi fundada foi justamente por se comportar mais como uma ONG do que como um partido ao longo do seu processo de legalização. Ou até mesmo como uma dessas fundações privadas que leva o nome do seu fundador.

A Rede pretendia não mais do que ser uma espécie de Instituto Lula, Instituto Ayrton Senna ou Fundação Jimmy Carter em forma de partido. Louváveis umas, desprezíveis outras, o que não são fundações senão a institucionalização de uma ideia individual?

Em tempos nos quais se defende uma proposta de reforma política com financiamento público de campanha, de modo a impedir que o poderio econômico se sobreponha às propostas na campanhas eleitorais, ela foi ainda tão mais igual aos outros. Nenhum movimento foi possível sem o custeio pela Natura (seu vice em 2010 foi Guilherme Leal, proprietário da marca) ou pelo Itaú.

Houve alguma consulta coletiva no sentido de se discutir como se daria o financiamento da natimorta Rede? Houve alguma consulta dentre os membros da Rede no sentido de discutir a ligação entre a potencial sigla e o Itaú e a Natura? Com a raiz do problema no financiamento privado de campanhas, Marina apenas inovou ao assumir o financiamento privado como um clube de futebol que permite ao patrocinador estampar a marca em seu manto sagrado.

No quesito ambiental, então, seu carro chefe, nada de diferente. Após desfiliar-se do PT, enquanto o Governo Lula defendia que os países industrializados deveriam ser responsabilizados pela poluição que eles proporcionaram, Marina dizia que a conta era de todos. Ora, se os países desenvolvidos também estão preocupados com a sobrevivência da espécie humana e foram eles que proporcionaram desequilíbrios ambientais, por que todos tem de pagar a conta? Por que ao invés de utilizarem as reservas públicas para subsidiarem rombos de grandes conglomerados privados, não as utilizam em pesquisas e políticas públicas ambientais com vistas à recuperação do equilíbrio ecológico?

A proposta ambiental de Marina, talvez a única que realmente tenha, é primeiro mundista. É a proposta dos que causaram o buraco na camada de ozônio.

Não existe partido apartidário, partido inspirado em ONG ou fundação. Pouco menos existem políticos que querem fazer diferente mantendo o atual modo de financiamento das atividades partidárias e das campanhas eleitorais. A Rede não foi um anseio da sociedade por melhoras na saúde, na educação, na habitação, no saneamento básico ou nos serviços públicos. Foi, tão somente, a intenção de ser mais um desses chamados partidos nanicos para satisfazer o ego de carreiristas, tanto que até mesmo neste artigo não sabemos se estamos discorrendo sobre a Rede ou sobre Marina.

É, portanto, igual aos demais. E pior, igual à direita, caso realmente for verdade que Marina tenha declarado que se juntou a Eduardo Campos para acabar com o PT e o chavismo que se instala no Brasil. Ela só esqueceu, ou não verificou, que o PSB (Partido Socialista Brasileiro) participa do Foro de São Paulo e defendeu as candidaturas de Chávez e Maduro nas últimas eleições presidenciais na Venezuela.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: