APÓS A BANDEIRADA: O GUERREIRO QUE NÃO SE ENTREGA

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26 de agosto de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Perdão aos ferraristas, inclusive aos italianos que eventualmente traduzirem esta postagem. Crises na Ferrari são engraçadas e divertidas. O típico sangue quente italiano e a devoção sentimental fazem com que episódios aconteçam de um modo que não se vê em outras equipes. Para o bem e para o mal, peculiaridades da única equipe que já esteve em todas as temporadas da maior categoria do automobilismo mundial.

A dança dos cockpits para 2014, que merece um texto à parte, promete. Se antes a discussão era o futuro de um já desgastado Felipe Massa por causa da ausência de resultados, agora questionam o que será do próprio Fernando Alonso.

Fora das pistas, dois boatos. O primeiro, comprovado, é a ida do empresário de Alonso ao motorhome da Red Bull após Webber anunciar sua saída. Porém, o mesmo Webber ou disse aquilo que muitos já sabem, ou fez campanha descarada: cravou o compatriota Daniel Ricciardo no seu lugar. Resultado? Se antes Alonso era especulado como companheiro de Vettel, agora começam a alimentar os rumores de uma ida para a Lotus, com patrocínio do banco Santander e tudo mais.

Detalhe: o empresário de Kimi já deu por encerrada a possibilidade de sua ida para a Red Bull e Eddie Jordan, ex-dono de equipe, atualmente comentarista da emissora de TV britânica BBC, cravou Kimi na Ferrari esses dias.

Tanto o ambiente a céu aberto da F-1 como o capacete dos pilotos não são capazes de esconder a cara de insatisfação dos funcionários da firma. Alonso é funcionário da Ferrari e não está nada satisfeito. Insatisfações e crises são consequências da falta de resultados. Nos esportes, na economia ou na política. E qual o resultado até aqui?

Em 2010, depois da polêmica do “faster than you”, um título perdido num erro de estratégia. Petrov manda lembranças. Em 2011, uma temporada pífia com Vettel campeão “com um pé nas costas”. Vitoriazinha em Silverstone, pra não passar em branco. Em 2012, altos e baixos de uma das temporadas mais equilibradas da história na qual a Ferrari perdeu quando a disputa com Vettel/Red Bull se polarizou. E agora, o segundo lugar na tabela de classificação com desvantagem de 46 pontos para Vettel. Se para muitos Alonso é a “reclamona chiliquenta de cara feia das Astúrias”, não há razões para ficar contente com um título que não vem desde 2006.

Luca di Montezemolo, do alto do orgulho ferrarista, acompanhado do sangue quente italiano, diz que os interesses da equipe estão acima do de qualquer piloto. Só que Alonso está puto porque não vence, enquanto o tetra de Vettel e da Red Bull é iminente. O interesse de Alonso é vencer. O da Ferrari, por tudo aquilo que ela significa, não?

46 pontos são praticamente duas vitórias. Diferença que poderia ter sido maior se Alonso não tivesse chegado em segundo depois de largar em nono. Isso, ainda mais para um circuito da magnitude de Spa-Francorchamps, não é para qualquer um. Esforço devidamente reconhecido com uma placa, na bandeirada, da diferença entre o primeiro e o terceiro colocado.

No final do ano passado, após todo o suspense em Interlagos causado pelas variações climáticas, onde Vettel foi tricampeão na “bacia das almas”, Alonso chegava ao pódio com a face de alguém sorridente e firme feito uma rocha, sem demonstrar qualquer abatimento. Ao ser entrevistado por Nelson Piquet, disse que agradecia ao time por toda a luta. Agora, solitário após uma de suas melhores apresentações na carreira e diante de uma placa que lhe informava a distância cronometrada, ele ainda tem forças para declarar que continua firme no propósito do título.

Não sabemos qual cockpit ele ocupará em 2014, tampouco qual será a dupla da Ferrari. Filosofaria o simplista que “a escuderia não seria louca. Se com ele já está difícil, imagina sem”? Fato é que Alonso parece ter lido aquela parte do célebre A Arte da Guerra no qual Sun Tzu orienta se mostrar forte no momento de fraqueza para vencer o combate. Quem o espanhol tiver ao seu lado em 2014 já terá meio caminho andado se a pretensão for o título, pois além dos ensinamentos de Sun Tzu, ele segue a máxima brasileira de não desistir nunca.

De nono a segundo, mas ninguém no muro para comemorar. Estranho. Créditos: Bruno Mantovani (twitter) e Victor Martins.

De nono a segundo, mas ninguém no muro para comemorar. Estranho…
Créditos: Bruno Mantovani (twitter) e Victor Martins.

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