60 ANOS EM BUSCA DE UMA SOLUÇÃO

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4 de agosto de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Julho é um mês revolucionário. No dia 26 comemoramos o Dia da Rebeldia Cubana em virtude dos assaltos aos quartéis de Moncada, em Santiago de Cuba e Carlos Manoel Céspedes, em Bayamo. No dia 27 a Coreia Popular celebra os 60 anos do armistício com a Coréia do Sul, enquanto que dia 28 é a data de nascimento de Hugo Chávez.

Uma vez que abordamos os feitos cubanos e venezuelanos na semana passada, passamos a discorrer sobre a questão coreana, que não poderia passar despercebida neste Blog Chianéllico.

O armistício celebrado entre as duas Coréias, há sessenta anos, deu fim a um conflito bélico no qual o norte era apoiado pela União Soviética e pela China, enquanto o sul era apoiado pelos Estados Unidos e países periféricos do bloco capitalista quando da Guerra Fria. Um estudo mais profundo da história ou um artigo específico sobre o assunto seria necessário para entender todos os fatos que desencadearam a Guerra da Coreia. Enfim, mesmo celebrado o armistício no dia 27 de julho de 1953, a tensão política sempre foi uma presença constante no paralelo 38.

A autodeterminação dos povos e a soberania é elemento crucial de direito internacional. Uma vez dividido o país, o lado norte da fronteira escolheu desenvolver seu modelo socialista. Vamos admitir, hipoteticamente, que a escolha pelo socialismo não foi exclusiva do povo coreano popular, mas teve considerável influência da União Soviética. Os anos passaram, o Muro de Berlim caiu e ao contrário do que ocorreu na Alemanha, a porção socialista não se rendeu ao capitalismo. A escolha pelo socialismo, portanto, demonstra inequivocadamente a autodeterminação e soberania da Coreia Popular.

Porém, há um outro componente: unificada, a Coreia seria um país capitalista ou socialista? Paralela à escolha do modelo econômico predominante, há a questão humanitária que envolve uma fronteira intensamente militarizada, separada por um muro ainda mais robusto que o de Berlim, que impede dentre outras coisas, por exemplo, que parentes possam viajar ao outro lado da fronteira para se visitarem.

Abertura das Olimpíadas de Sidney: coreanos do norte e do sul sob a bandeira da unificação.

Abertura das Olimpíadas de Sidney: coreanos do norte e do sul sob a bandeira da reunificação.

Há alguns movimentos em direção à reunificação. Recorde-se, por exemplo, que no desfile de abertura das Olimpíadas de Sidney, em 2000, as delegações do norte e do sul desfilaram juntas. Uma bandeira branca tinha a estampa de um mapa da península sem divisão.

Foi construído, no lado norte da fronteira, o parque industrial da cidade de Kaesong, um projeto conjunto entre as duas Coreias que consiste numa zona econômica mista, onde empresas do sul investem de modo a empregar mão de obra do norte. O projeto interessa ao norte de modo a serem realizadas mudanças na política econômica, algo na direção daquilo que na China e no Vietnã chamam de economia socialista de mercado. Porém, os exercícios militares recentemente realizados no lado sul da fronteira, em conjunto com os Estados Unidos, levaram o norte a fechar o complexo industrial. Rodadas de negociação, até então infrutíferas, são conduzidas no sentido da reabertura do complexo.

Fundador da República Democrática Popular da Coreia, Kim Il-sung propôs, na década de 1980, uma confederação, de modo que a reunificação do país respeitasse a autonomia entre o socialismo no norte e o capitalismo no sul. Não temos notícia dos desdobramentos da proposta até o fechamento desta postagem.

Mesmo com o fim do conflito bélico, comemorado pelos coreanos populares como vitória por sua libertação, ainda há muitos problemas a serem resolvidos. A fração de duas Coreias, originada num conflito bélico, mantém o mesmo povo separado às custas de total desrespeito aos direitos humanos por parte de medidas tomadas pelo lado sul da fronteira patrocinadas pelos EUA, enquanto o lado norte é diariamente satanizado pelas potências ocidentais e sua maior arma de propaganda: os grandes conglomerados privados da comunicação.

Monumento da Reunificação em Pyongyang, capital do norte.

Monumento da Reunificação em Pyongyang, capital do norte.

Nos dias atuais se comemora um armistício dotado do significado da autodeterminação e soberania, infelizmente à custa da vida de muitos cidadãos coreanos civis inocentes. Agora o desafio consiste em promover uma reunificação que conduza o povo coreano à convivência pacífica e solidariedade, longe, portanto, de qualquer interesse das potências bélicas ocidentais.

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