EM CUBA, TODO DIA É 26 DE JULHO – PARTE I

Deixe um comentário

27 de julho de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Bandeira do Movimento 26 de Julho.

Bandeira do Movimento 26 de Julho.

Cuba, Santiago de Cuba e Bayamo, 26 de Julho de 1953. Respectivamente quartéis de Moncada e Carlos Manuel de Céspedes. A ilha vivia a truculenta ditadura de Fulgêncio Batista e insurretos liderados por Fidel Castro assaltam as referidas instituições militares.

Acusado de conspiração, Fidel, advogado, é levado à prisão e sofre um julgamento de exceção que não lhe permite o contraditório e a ampla defesa. Chegou, inclusive, a estar encarcerado numa cela solitária.

Diante de tais circunstâncias, não lhe coube alternativa que não fosse assumir a própria defesa, que entrou para a história da política com a célebre frase “A história me absolverá”.

Em sinal de reconhecimento à luta do povo cubano e por tudo que os 60 anos dos assaltos aos quartéis de Moncada e Carlos Céspedes representam, transcrevemos, a seguir, trechos da autodefesa de Fidel em seu julgamento.

A defesa completa pode ser conferida em exemplar a ser adquirido junto à editora Expressão Popular. Boa leitura a todos!

“Senhores juízes:
Jamais um advogado teve que exercer seu mister em condições tão difíceis. Nunca, contra um acusado, foram cometidas tantas irregularidades. Um e outro, neste caso, são a mesma pessoa. Não pude, como advogado, nem sequer ver o sumário, e, como acusado, faz hoje setenta e seis dias que estou encerrado numa cela solitária, absolutamente incomunicável, num desrespeito completo a todos os preceitos humanos e a todas as prescrições legais.

(…) Finalmente, devo dizer que não se permitiu que fosse levado à minha cela qualquer tratado de Direito Penal. Só pude dispor deste minúsculo código, que me foi emprestado por um advogado, o corajoso defensor de meus companheiros: doutor Baudillo Castellanos. Impediram, da mesma forma, que chegassem às minhas mãos os livros de Martí. Parece que a censura da prisão os considerou demasiadamente subversivos. Ou será porque considerei Martí o autor intelectual do 26 de Julho? Fui impedido, além disso, de trazer a este julgamento obras de consulta  sobre qualquer matéria. Não importa! Trago no coração os ensinamentos do Mestre e no pensamento as nobres idéias de todos os homens que defenderam a liberdade dos povos.

(…) Em que país vive o senhor promotor? Quem, lhe disse que promovemos levante contra os poderes CONSTITUCIONAIS DO ESTADO? Duas coisas saltam à vista. Em primeiro lugar, a ditadura que oprime a Nação não é um poder constitucional, mas sim inconstitucional. Surgiu contra a Constituição, por cima da Constituição, violando a legítima Constituição da República. Legítima é a Constituição que emana diretamente da soberania popular.

(…) Creio ter justificado, suficientemente, meu ponto de vista: são argumentos mais numerosos que os esgrimidos pelo senhor promotor para pedir que se me condene a vinte e seis anos de prisão. Todos eles dão razão aos homens que lutam pela liberdade e pela felicidade do povo. Nenhum justifica os que oprimem o povo, envilecem e o saqueiam sem piedade. Por isso tive que expor muitas razões e o promotor nenhuma só.

(…) Quanto a mim, sei que a prisão será dura como tem sido para todos – prenhe de ameaças, de vil e covarde rancor. Mas não a temo, como não temo a fúria do tirano miserável que arrancou a vida de setenta de meus irmãos. CONDENAI-ME, NÃO IMPORTA. A HISTÓRIA EM ABSOLVERÁ”.

Fidel, o primeiro da esquerda para a direita, é levado para  julgamento.

Fidel, o primeiro da esquerda para a direita, é levado para julgamento.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: