APÓS A BANDEIRADA: O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO – PARTE II

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15 de maio de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Ano passado, diante da vitória de Alonso em Valência, publiquei no Reta Oposta que o patriotismo do espanhol, em casa, lembrava os tempos em que Ayrton se tornou o Senna do Brasil. Pois a história se repetiu.

Os pneus e a asa móvel merecem todas as críticas do mundo, pois as corridas se tornaram artificiais. Nem bem os pneus se aquecem, já estão degradados. E a equipe  chama o piloto ao boxes. Ou seja, o segredo é economizar e não acelerar.

Por outro lado, como o piloto da frente se defende da potência adicional da redução do arrasto aerodinâmico? É injusto. Alonso não fez ultrapassagens espetaculares no último domingo, mas foi competente o suficiente diante dos recursos que tinha em mãos, também disponíveis ao demais. É, inquestionavelmente, o merecedor da vitória.

O herói diante de seu povo.

Infeliz o povo que precisa de heróis, já dizia Brecht…

Belíssima atuação e novamente o empunhar da bandeira espanhola diante de seu público enquanto o país vive uma profunda crise econômica e política pautada pelo desemprego, pela recessão econômica, pelos pacotes de austeridade, pelo questionamento da autoridade monárquica e até mesmo por sentimentos separatistas de bascos e catalães (sem entrar no mérito, hoje, se são anseios legítimos ou não). Como jornalistas, filósofos, sociólogos e cientistas políticos nos justificariam a criação de desportistas heróis em países de absurdos contrastes sociais em constante crise política?

As semelhanças a Senna não param por aí. Também nos números o espanhol se aproxima do brasileiro tricampeão. Já o ultrapassou no número de pódios e agora, com 32 vitórias, precisa de mais 10 para se tornar o terceiro maior vencedor da história, atrás apenas de Schumacher e Prost.

Em tempos nos quais as informações estão escancaradas internet afora, tenham certeza de o pachequismo não é exclusividade dos sennistas. Fosse Galvão Bueno espanhol, sem dúvida alguma que a narração da chegada seria i” Fernando, Fernando, Fernando Alonso de España”! E assim, pelo menos nas manhãs ou tardes de domingo, o país se une em torno de um só objetivo: o triunfo do seu herói, daquilo que restou de bom a oferecer ao resto do mundo.

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