CARTA ABERTA A SINHÁ CHAVES

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1 de abril de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Querida Sinhá, em primeiro lugar, perdão pela falta de atenção. Você é uma pessoa que muito significa pra mim, uma inspiração incontestável da minha busca pelo intelecto e por aquilo que é construtivo.

Nessa perspectiva, um gosto em comum nosso fez com que acompanhássemos algo juntos de uma maneira lúcida, o automobilismo. Lá estávamos nós, em 2010, torcendo pelo Helinho e pelo Tony nas 500 Milhas de Indianápolis. Helinho largou na pole, mas quem sobrou mesmo na corrida foi o Dario Franchitti. Vencedor, concluímos que era merecido.

Ao longo daquela temporada, já tendo apresentado o cartão de visitas no final da anterior, surge um novo talento: Will Power. Citando novamente Helinho, o próprio brasileiro admite que gostaria de ver seu companheiro na F-1. Quer elogio maior? Para que isso aconteça, há de se vingar na Indy.

Mais uma vez, Power começa o ano cotado como favorito, apesar da vitória do Hinchcliffe na estréia da temporada. Helinho, sempre ele, liderava, mas errou na última das relargadas e o talentoso canadense aproveitou.

Todavia, querida Sinhá, lembrei mesmo de você quando, com bandeira amarela, o carro número 4, patrocinado pela Guarda Nacional ianque, detonou com a corrida do Power. O mesmo Tim Hildebrand, que perdeu as 500 Milhas de 2011 batendo sozinho na última curva e completando a lendária prova em segundo lugar com o carro todo arrebentado.

Sabemos que a pedra no sapato de Will Power são os ovais, onde o rendimento dele cai consideravelmente. Logo, pontos perdidos nos circuitos mistos podem fazer a diferença no final.

Tchauzinho para a torcida. Gesto de campeão?

Tchauzinho para a torcida. Gesto de campeão?

Temos, querida Sinhá, muita temporada ainda pela frente. A recolocação de Power entre os ponteiros da tabela de classificação é totalmente possível. Ainda sim, numa categoria marcada pelo equilíbrio entre as equipes mais rápidas do grid, as coisas se decidem nos detalhes. Desta vez, pelo erro dos outros, pontos perdidos em circuito misto (em bandeira amarela, o que é pior) pode ter custado caro. Sem querer gorar, mas é uma possibilidade.

Desencanta, Power! Desencanta!

Enquanto isso, continuo aqui torcendo pelo Helinho e pelo Tony, bem como por boas atuações do venezuelano Ernesto Viso. No último domingo, ele saiu da 22ª posição para terminar em sétimo. Nada mal para quem tem um carro bem menos competitivo. Viso, apesar de ser um barbeiro daqueles, também já declarou reconhecer as benfeitorias bolivarianas do agora saudoso Hugo Chávez em prol do seu país. Assim como o Maldonado na F-1, o Rodolfo González e o Johnny Ceccoto Jr na GP2, ele é fruto de um projeto de investimento público em formação de pilotos.

Adelante, Viso!

Muitas saudades de você, querida, que seriam muito bem matadas se pudéssemos ver uma corrida juntos novamente. Mas não a próxima, o sempre chatíssimo grande prêmio do Alabama, que nem sei porque entrou no calendário da Indy.

Um beijo!

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