HUGO CHÁVEZ: A HISTÓRIA NÃO ACABOU

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8 de março de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Por Tiago Barbosa Mafra

Chávez surgiu no cenário abruptamente, contrariando Fukuyama ao mostrar que nem todos aceitavam que o “fim da história” chegara e querendo combater a bula neoliberal do Consenso de Washington. A tentativa frustrada de golpe o projetou politicamente e as vias democráticas o levaram ao cargo mais alto da Venezuela após várias décadas de entreguismo, subserviência e ausência de uma política de soberania real.

As ações tomadas sob comando de Hugo Chávez após uma década realmente perdida na América Latina sobre as orientações das corporações, bancos e arautos do livre mercado, simbolizavam que o modus operandi tido como obsoleto após o fim da Guerra Fria estava mais vivo do que nunca. Tomavam corpo novamente a partir de fins dos anos 1990 conceitos e propostas outrora deixados de lado. Voltava à tona o povo, a participação popular, o combate à desigualdade, o imperialismo, a soberania, a cooperação entre os povos e a possibilidade de uma tão sonhada unificação entre os países da América, pensada por Bolívar há mais de 150 anos.

Tendo Cuba como referência, Fidel como mentor, Bolívar como inspiração, Chávez era tido como um ser anacrônico, apegado a modelos e pensamentos já superados. O determinismo do livre mercado era inquestionável, o capitalismo indestrutível. Aos poucos o Tenente Coronel Chávez mostrou ao mundo que outra via era possível e construiu em seus 14 anos de liderança da Venezuela um exército poderosíssimo de líderes progressistas que adotaram uma linha de ação que colocou em cheque a supremacia estadunidense e o modelo econômico da América do Sul.

É por isso, que a vitória e a permanência dele no poder é a representação de um descontentamento, um inconformismo que tomou conta de uma terra por tanto tempo explorada.

Cristina Kirchner, Pepe Mijuca e Evo Morales velam o corpo de Hugo Chávez.

Cristina Kirchner, Pepe Mijuca e Evo Morales velam o corpo de Hugo Chávez.

A partir dele e com ele, surgem grandes líderes que ainda hoje mostram a possibilidade de um caminho econômico e social diferente para o mundo. Evo, Mujica, Kirchner, Lugo, Correa, Humalla, Ortega, Lula, Dilma. Todos fazem parte dessa corrente de renovação.

Por isso, o presidente Hugo Chávez não pode e nem deve ser analisado meramente como populista ou figura isolada de um socialismo personificado. É ao contrário disso, um dos líderes mais expressivos e corajosos de um tempo que não sabe lidar com o que é  controverso e que pune o contraditório com uma mídia deformadora da visão real da estrutura de poder.

Com Chávez a desigualdade diminuiu através dos programas distributivos de renda, fazendo o PIB per capta ir de US$ 3.800 (1998) a US$11.000 (2012). A pobreza extrema caiu de 20% para 7% e o desemprego de 11% para 8%. Na economia, apesar da dependência do petróleo, a Venezuela se firmou no cenário internacional. Numa década em que o preço do litro do petróleo foi de 24 dólares (2002) a 110 dólares (2012), o presidente canalizou cada vez mais fundos da PDVSA (estatal do petróleo) para os programas sociais, chegando a 39 bilhões no último ano.

No campo internacional, fez grandes inimigos como os EUA, mas também consolidou muitas parcerias. Garantiu subsídio ao petróleo para Cuba, com quem trocava por médicos, apoiou a Nicarágua e subsidiou também a distribuição de petróleo nesse país, aumentou o comércio com o Brasil em 575%, comprou títulos da Argentina para combater os períodos de crise, aprofundou relações com o Irã na geopolítica anti-estadunidense, ganhou força dentro da OPEP, suspendeu relações com Israel frente às atrocidades cometidas contra os palestinos, além de aprofundar relações comerciais com a China e militares com a Rússia.

Por isso Chávez incomoda tanto e é tão desmoralizado pela grande mídia através de alcunhas de ditador, populista, caudilho ou coisas do gênero, porque representa um outro modelo de sociedade, uma outra proposta de organização da economia, uma via não prevista pelo fim da história. Chávez acabou, mas a ideia está mais viva que nuca. Hasta Siempre Comandante!

*Tiago Barbosa Mafra é professor de geografia na rede municipal de ensino de Poços de Caldas e coordenador do pré vestibular comunitário Educafro.

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