VATICANADAS

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12 de fevereiro de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Bento XVI com uniforme da Juventude Hitlerista.

Bento XVI com uniforme da Juventude Hitlerista.

Depois de quase um milênio, um Papa renunciou. Para mim, que já fui católico, poderia fazer alguma diferença no passado. Pra quem terminou a “carreira religiosa” frequentando missas de vez em quando, pelo menos os argumentos do padre no momento do sermão serviriam para dizer ao mundo além da sacristia porque a imagem de São Pedro na Terra renunciou. Só que o tempo passa, amadurecemos, horizontes se abrem e chegamos a conclusão de que o monarca absoluto da Igreja Católica é eleito num conclave por agentes políticos trancafiados num país que dá para conhecer a pé em uma hora.

Enfim, o duro de haver um Vaticano é a interferência na soberania e auto determinação de nossas escolhas. Para eles, fechados e enclausurados, basta dizer o que o senhor supostamente quer de nós para que uma considerável gama da sociedade empunhe suas bandeiras, como no caso do aborto, da camisinha e do casamento homossexual, por exemplo. Temos todos os motivos para que medidas como essas sejam regulamentadas, na opinião de juristas, sociólogos e cientistas políticos. Todavia, o que deveria se restringir a somente orientar os fiéis de sua instituição religiosa passa a ser objetivo de uniformização e universalização da conduta da população mundial. Há a necessidade insaciável de conduzir o mundo ao rebanho do senhor. Portanto, não vamos regulamentar o aborto, a distribuição gratuita de camisinhas e o casamento homossexual porque a igreja não quer e seria desrespeito com seus fiéis. No caso do Brasil então, no dia em que tirarmos, num Estado laico, o crucifixo de repartições públicas, a Guarda Suíça invade o país.

Ai de nós se condenamos o fato do Vaticano ser acionista majoritário da maior fabricante de armas do mundo. Estaremos nos utilizando de calúnias para macular a imagem da igreja que vem de Pedro e mantém viva a esperança de seus fiéis. Longe de mim considerar o Legião Urbana um ícone da música, mas agora entende-se o motivo de Renato Russo profetizar “e lembre-se sempre que deus está do lado de quem vai vencer”. Porém, você dizer que a igreja católica vive uma crise de valores em razão do celibato, que vitima crianças inocentes, é o cúmulo do desrespeito.

Seja Bento XVI, João Paulo II, João XXIII, não faz diferença. O Vaticano, nasceu, foi e é autoritário. Do que precisamos são medidas tomadas no sentido de que o Vaticano, Estado fundado por um acordo do qual Mussolini é signatário, oriente seus fiéis de modo que não haja interferência em assuntos de ordem pública. Que se restrinja a seus fiéis. Alguém deixar de fazer algo porque o código de ética de sua religião não permite é totalmente aceitável. Mas alguém de distinta religião ou até mesmo um ateu/agnóstico não poder agir de determinada maneira porque a transgressão de normas religiosas é crime porque assim o Vaticano quer, é algo totalmente constrangedor. Independentemente de quem seja o Papa.

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