CARTA ABERTA AO AMIGO RUBENS CARUSO JUNIOR

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4 de janeiro de 2013 por Lucas Rafael Chianello

Prezado conterrâneo calabrês, que ainda possamos discutir pelo menos alguns dos assuntos de nosso interesse na nossa querida amada e desconhecida Paola, no sul da Itália, terra dos nossos antepassados. Feliz coincidência esta existente entre nós. Enfim, prometo não me alongar. Peço, acima de tudo, que este registro chegue a você sem qualquer revanchismo ou imposição de visões de mundo. Que chegue sob a ótica da pluralidade e que nos permitemos convencer e sermos convencidos.

Conversávamos no facebook sobre a postura da imprensa acerca do estado de saúde do Presidente venezuelano Hugo Chávez. Conforme podemos conferir em A revolução não será televisionada, documentário realizado por britânicos sobre a tentativa de golpe contra Chávez em 2002, verificamos a participação da imprensa. No próprio documentário os narradores afirmam que depois de anos de ditadura, foi no início do governo Chávez que os meios de comunicação venezuelanos tiveram liberdade jamais vista anteriormente, bem como o Presidente se defendia dos ataques da oposição veiculados na mídia através do canal estatal.

Vamos resumir a ópera, pois temos coisas a fazer: tentou-se um golpe de Estado, patrocinado pela grande mídia não só do país, que fracassou. Chávez venceu eleições, perdeu um referendo em 2007 (se não me engano) e após ser reeleito Presidente na mesma data em que o Eloisio se tornou o primeiro Prefeito negro de Poços de Caldas, foi informado de que ainda portava um câncer dado como curado. Voltou a Cuba para tratamento e está acamado.

A Constituição venezuelana é clara ao afirmar que no caso do Presidente eleito não tomar posse, o Presidente da Assembleia Nacional convocará novas eleições em até 30 dias. Porém, novamente vemos uma postura da grande imprensa no sentido de criar instabilidade no país em razão das condições de saúde do Presidente. Pra que tudo isso se a Constituição do país prevê o que fazer em tal situação? Não é, conforme cada livro de cada religião, a Constituição a Lei Maior de um país? A quem interessa criar incertezas e instabilidades?

Se eu disser que não torço pela vida do referido Presidente com fulgor, ainda que com ausência de juízo religioso, estarei mentindo. O que justifica, senão o ódio e o poder a qualquer custo, um meio de comunicação espanhol falado noticiar que a família do Presidente já se encontrava na Ilha castrista para que o irmão, a qualquer momento, autorizasse o desligamento das máquinas que em tese mantém o presidente vivo?

Por se tratar do Presidente do país, natural que tivéssemos uma versão estatal daquilo que ocorre. Ninguém esconde que a vida do Presidente corre risco, que seu quadro é estável dentro de uma situação grave. Ninguém esconde também que o Presidente respira por ajuda de aparelhos devido a uma infecção pulmonar decorrente da última cirúrgia a qual ele se submeteu. Precisa, além disso tudo, da imagem de um grave enfermo em seu leito?

Geralmente, para os parâmetros da democracia sufragista ocidental, no caso de impedimento de qualquer natureza do candidato eleito, assume seu vice. Conforme discorri acima, a Constituição venezuelana vai além, prima pela convocação de novas eleições. Pra que, então, criar-se agitações políticas desnecessárias, através de uma imprensa partidarizada, se há um rito que prevê o que fazer na ausência do Presidente a ser empossado?

Ora, não estamos mais nos tempos de Arthur e os cavaleiros da távola redonda, quando um reino sem herdeiros estava fadado a ser varrido do mapa. Estamos no século XXI, em tempos nos quais o mínimo aceitável é permitir aos povos eleger seus governantes. Assim se permite na Venezuela. Por qual razão dar ouvidos e atenção à grande mídia, ao se especular sobre o estado de saúde do Presidente Chávez? “No fundo”, sabemos a resposta. Mas isso é tema para outro artigo.

No mais, concordo com você. O Haiti, a África, as favelas de Caracas, a Rocinha e o Capão Redondo estão no São José, no Kennedy, no São Sebastião e em muitos outros bairros humildes das cidades onde moramos que muitas vezes são tratados em terceiro, quarto, quinto plano, para que nos informemos sobre o que acontece na Primavera Árabe ou na usina nuclear de Fukushima.

Saudações cidadãs de seu amigo,

Lucas Rafael Chianello.

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Um pensamento sobre “CARTA ABERTA AO AMIGO RUBENS CARUSO JUNIOR

  1. Vai longe esse meu pupilo. Escreve bem à beça. Dá gosto ler! Parabéns!

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